Entrevista exclusiva com Lula
01 de setembro de 2019, 12h58

Moderadores de conteúdo do Facebook relatam sua dura rotina

Reportagem da BBC entrevistou jovens que trabalharam na plataforma rede e que tiveram de excluir até vídeos de canibalismo

Foto: Reprodução

As redes sociais são um campo vastíssimo para publicações, de todas as origens. Por isso, o Facebook contrata um verdadeiro exército de moderadores, que assumem a tarefa de filtrar as postagens. No entanto, frequentemente, isso pode ter consequências sérias para a saúde mental do trabalhador.

Reportagem da BBC mostra a dura rotina dos moderadores. “Um dos primeiros vídeos que eu me lembro de ter visto mostrava dois adolescentes pegando uma iguana pela cauda e, em seguida, a esmagavam na calçada enquanto uma terceira pessoa filmava. A iguana ficou gritando e as crianças não pararam até que o animal ficasse estirado no chão”, declarou Shawn Speagle, que exerceu a função de moderador de conteúdo online durante seis meses em 2018 e ainda se sente marcado pela experiência.

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“Eu vi pessoas colocarem fogos de artifício na boca de um cachorro e fechá-la. Já vi vídeos de canibalismo, vídeos de propaganda sobre terrorismo”, acrescentou.

Shawn decidiu falar, mesmo tendo assinado um acordo de confidencialidade, uma prática padrão nessa indústria.

Ele defende que as políticas de moderação do Facebook sejam discutidas abertamente, pois os trabalhadores acabam assistindo a conteúdo perturbador que é muitas vezes deixado intocado na plataforma.

O ex-moderador ficou perturbado com o fato de o conteúdo animal quase nunca ser removido. O mais comum era marcá-lo como “perturbador” e mantê-lo na plataforma.

Estresse

O estresse do trabalho o levou a excessos e ganho de peso. “Eu me senti como se fosse um zumbi no meu lugar. Aquilo realmente te atinge porque eu não tenho aquela síndrome de espectador, que fica ali apenas assistindo a esse sofrimento todo sem poder fazer nada para impedir”.

Ele também não recebeu acompanhamento psicológico adequado. Revelou ter ido uma única vez falar com o psicólogo de plantão: “Ele me disse que não sabia como nos ajudar”.

Além disso, Shawn reclamou das condições de trabalho. “O lugar era absolutamente nojento. Havia apenas um banheiro em todo o edifício onde trabalhavam 800 funcionários. As pessoas fumavam no prédio, bebiam no estacionamento e faziam sexo em seus carros”, contou.

Pavor noturno

Diagnosticado com pavor noturno, ele é obrigado a utilizar inúmeros medicamentos, tem medo de dirigir após assistir a tantos vídeos de acidentes de carro e se assusta com barulhos altos.

“Olhar para essas coisas durante oito horas por dia, cinco dias por semana. É algo que nem veteranos e ex-militares conseguem lidar”, acrescentou.

Veja aqui a reportagem completa.


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