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20 de junho de 2018, 17h49

Morre José Marques de Melo, um dos principais teóricos da Comunicação no Brasil

O jornalista morreu aos 75 anos, após sofrer um infarto fulminante em sua residência, em São Paulo.

(Reprodução site ECA)

Um dos principais teóricos da comunicação brasileira faleceu na tarde desta quarta-feira (20), após sofrer um infarto fulminante. Segundo seu biógrafo, Sergio Matos, autor da obra O Guerreiro Midiático – Biografia de José Marques de Melo, o jornalista foi um homem “que se destaca pela capacidade de organizar, congregar e de ser também um grande agitador cultural, cuja experiência de vida e de realizador incansável serve de exemplo a todas as gerações”.

Natural de Palmeira dos Índios, em 1943, Melo mudou-se para a vizinha e também alagoana Santana do Ipanema, de onde saiu na adolescência para estudar em Maceió e no Recife. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco e em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco, durante a década de 1960, antes de se transferir para São Paulo.

 

Após o golpe de 64 trabalhou em publicações de Alagoas, Pernambuco, São Paulo, Brasília, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira acadêmica ainda no Recife, em 1966, como assistente do professor Luiz Beltrão, no Instituto de Ciências da Informação da Universidade Católica de Pernambuco. No ano seguinte, já na capital paulista, fundou o Centro de Pesquisas da Comunicação Social, mantido pela Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, e foi docente-fundador da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde obteve os títulos de doutor em Ciências da Comunicação, livre-docente e professor catedrático de jornalismo.

 

Impedido durante anos de exercer a docência em universidades públicas brasileiras pelo regime militar, reassumiu sua cátedra na USP, após a Anistia de 1979. Em 1989, foi escolhido pela comunidade acadêmica para exercer o cargo de diretor da ECA, função ocupada até 1993, quando se aposentou na instituição.

 

José Marques de Melo foi o primeiro doutor em jornalismo titulado por universidade brasileira e fez seu pós-doutorado, com bolsa da Fapesp, nos Estados Unidos, onde realizou estudos avançados de comunicação com o respaldo acadêmico do MUCIA (Consórcio Universitário do Meio-Oeste, integrado pelas universidades de Wisconsin, Minesotta, Indiana, Illinois e Michigan), em 1973-1974. Desenvolveu também estudos na Espanha e, em 1992, foi nomeado Catedrático Unesco de Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona. Atuou ainda como pesquisador/professor visitante em diversas outras universidades estrangeiras, nos Estados Unidos, México, Argentina, Uruguai, Venezuela, Bolívia e Chile.

 

Entre seus principais livros – ele escreveu 38 obras, além de coordenar dezenas de coletâneas –, estão: Comunicação Social: Teoria e Pesquisa, Estudos de Jornalismo Comparado, Sociologia da Imprensa Brasileira, A Opinião no Jornalismo Brasileiro, Comunicação e Modernidade, Fontes para o Estudo da Comunicação e Teoria da Comunicação: Paradigmas Latino-Americanos. José Marques de Melo publicou mais de uma centena de artigos em periódicos científicos, nacionais e estrangeiros, bem como em jornais e revistas de grande circulação no Brasil e América Latina.

 

Em 1977, idealizou e foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), entidade que nasceu semiclandestina e tornou-se a principal associação de pesquisadores em comunicação no país. Exerceu a presidência da entidade em três mandatos e, hoje, é seu presidente de honra e lidera seu Conselho Curador. José Marques de Melo idealizou também a Rede Alfredo de Carvalho – que, depois, se tornaria a Alcar (Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia) – e inspirou intelectualmente redes nacionais e internacionais, como Lusocom e Folkcom.

 

*Com informações do Portal Intercom


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