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30 de outubro de 2019, 08h24

O surto de Bolsonaro nas lives e as capas de IstoÉ contra Dilma e Gleisi

Onde estão as capas de revista explorando os surtos do presidente?

Montagem

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) gravou uma live de emergência nesta terça-feira (29) para se proteger da reportagem do Jornal Nacional que o associa ao assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018. Nitidamente abalado, o presidente mostrou total descontrole emocional para tratar o assunto. Aos berros e falando palavrão, Bolsonaro estava desesperado, uma cena que chocou até seus apoiadores. No entanto, não houve uma só manchete na mídia tradicional que explorasse o surto do presidente. Se ele fosse uma mulher, talvez teria.

Incontáveis foram as vezes em que revistas de grande circulação, como IstoÉ ou Veja, estamparam em suas capas rostos de grandes mulheres da política. O discurso, no entanto, não era nem um pouco engrandecedor: mulheres loucas, frias, histéricas, agressivas, descontroladas e “emocionais” demais para um cargo que exige “racionalidade”. Muitas vezes, tais reportagens sequer apresentavam dados factuais para embasar argumentos. Muito pelo contrário. Comentários repletos de ironia e fontes de pouca credibilidade eram as ferramentas que estes homens se muniam para deslegitimar o trabalho e seriedade de tantas mulheres.

A capa da revista semanal IstoÉ, em abril de 2016, evidencia o quanto a misoginia pautava – e ainda pauta – as grandes redações. A chamada “As explosões nervosas da presidente” convida o leitor a adentrar nos “surtos de descontroleda presidenta que, segundo a revista, eram os responsáveis por impossibilitá-la de “conduzir o país”. No entanto, como bem lembrado pelo apresentador da Fórum, William de Lucca, apesar dos escândalos, frases agressivas e tantas outras colocações que ferem os direitos humanos, Bolsonaro ainda não teve a sorte de ser agraciado com uma capa dessas, e sequer é chamado de “louco” ou “desequilibrado”.

Esse comportamento da imprensa passa longe da mera defesa ou condenação de Dilma, Gleisi ou qualquer outra mulher na política. Na realidade, narrativas desse tipo apenas evidenciam o quanto mulheres que ocupam posições de poder são vulneráveis a ataques misóginos, e isso acaba se refletindo em um ataque a todas as mulheres, estejam elas na política ou não.


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