O que o brasileiro pensa?
28 de julho de 2019, 14h21

Ombudsman da Folha: adesão da imprensa à Lava-jato impede exercício do jornalismo crítico

Flavia Lima critica a condição de parte da mídia que aceita passivamente as informações e vazamentos da Polícia Federal. Para ela, é tempo de aplicar mais questionamentos nas reportagens sobre o caso

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em coluna publicada neste domingo (28), a Ombudsman da Folha de S.Paulo, Flavia Lima, chama atenção para a abordagem que a imprensa tem feito com relação aos vazamentos de conversas da Lava Jato. Para Flavia, os jornais trataram o caso com “condescendência”, sem aplicar os devidos questionamentos ou sair da condição de quem aceita “passivamente” as informações e vazamentos da própria Polícia Federal. Comprometendo assim, a boa prática jornalística.

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“Há ainda muitas dúvidas não respondidas. Não se sabe exatamente quantas pessoas foram hackeadas e se por um mesmo hacker, se há mais gente envolvida nos crimes e, principalmente, se alguém pagou pelo material obtido pelas invasões” são algumas das provocações que a Ombudsman faz aos veículos de informação.

Como exemplo de um conteúdo que agrega pouca informação ao leitor, Flavia comenta a própria manchete da Folha:”Hacker diz que não alterou material encaminhado a site” (27), publicada no impresso do jornal. A escolha por esse tipo de matéria denota certa “hesitação do jornal” e só alimenta “teorias da conspiração”, de acordo com ela.

Enquanto isso, como foi o caso da Fórum, alguns veículos optaram por destacar outro fato importante do dia anterior (26), segundo o qual a ex-deputada do PCdoB, Manuela D’Ávila, confirmara ter feito ponte entre o hacker e o fundador do The Intercept, Glenn Greenwald.

Flavia faz o convite para que a imprensa como um todo revisitem o processo da operação, assim como o conteúdo das conversas. “O material é imenso e a percepção de pessoas envolvidas é que apenas cerca de 20% dele tenha sido examinado”, completa.


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