Entrevista exclusiva com Lula
18 de novembro de 2019, 11h08

Professor de História da USP e de Ciência Política da Unicamp pedem censura a intelectual negro por ser “stalinista”

"Claramente, o que se cobra é censura. O pressuposto, veja bem, não é se a produção é ruim ou boa, mas simplesmente que ela não deveria existir", argumentou Jones Manoel sobre as declarações de Sean Purdy e Álvaro Bianchi nas redes sociais

Jones Manoel (Reprodução/Facebook)

Os professores Sean Purdy, de História da USP, e Álvaro Bianchi, diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, criticaram a inclusão de um artigo no primeiro número da revista Jacobin no Brasil e pediram censura ao historiador negro, mestre em Serviço Social, Jones Manoel, por considerá-lo “stalinista”.

“Acho um enorme equívoco publicar um stalinista orgulhoso na Jacobin Brasil”, comentou Sean Purdy no Twitter, ganhando o apoio de Bianchi. “Deveriam ter avisado antes”.

Jones rebateu as declarações dos professores, que geraram polêmica nas redes sociais, em sua página no Facebook.

“Para o Sean não existe argumento, debate, reflexão. Na cabeça dele eu sou ‘stalinista’ e deveria, simplesmente, ser proibido de publicar qualquer coisa na Jacobin. Ele quer censurar um comunista. O bolsonarismo, veja só, também quer. No mesmo comentário, Alvaro Bianchi, que também tem um artigo na revista, dá a entender que caso soubesse antes que eu estou entre os articulistas, não escreveria. Assim como a classe média tucana não suporta dividir o mesmo oxigênio do aeroporto com os “pobres”, Bianchi não tolera dividir qualquer espaço escrito comigo”, escreveu Jones.

“Em ambos os casos, CLARAMENTE, o que se cobra é CENSURA. O pressuposto, veja bem, não é se a produção é ruim ou boa, mas simplesmente que ela não deveria EXISTIR. Sean nunca, sob hipótese alguma, produziu uma crítica aos artigos, vídeos, palestras gravadas ou publicações de maior fôlego que já fiz. Digo o mesmo do Bianchi – que depois da saída do PSTU eu nunca escuto falar. É zero debate. É autoritarismo puro e na veia. Elitismo dos mais bizarros. Perseguição aberta”, afirmou Jones.

A Jacobin é uma das revistas mais influentes da “esquerda radical”, como a própria publicação define, no mundo e está lançando seu primeiro número no Brasil.


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