Entrevista exclusiva com Lula
19 de agosto de 2019, 09h50

“The Guardian” chama Bolsonaro de “segundo Trump” e critica “retórica ofensiva” do brasileiro

Publicação britânica classifica a verborragia do presidente brasileiro como “um desastre internacional de relações públicas”

Reprodução/Twitter

O tradicional jornal britânico “The Guardian” publicou um artigo intitulado “Um segundo Trump: a retórica ofensiva de Bolsonaro aumenta o desconforto do Brasil”. A publicação classifica a verborragia do presidente brasileiro como “um desastre internacional de relações públicas”.

“Oito meses depois da posse do extrema direita Jair Bolsonaro há um crescente desconforto em relação à incapacidade, ou recusa, do presidente para se importar com o que fala, e o impacto que isso está tendo para o Brasil no mundo”, diz um dos trechos do artigo.

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Cita, ainda, um editorial recente do jornal o Globo, no qual o presidente é considerado “um risco para o país” e lamenta “a incontinência verbal” de Bolsonaro.

O “The Guardian destaca, também, as “declarações odiosas e homofóbicas” de Bolsonaro e menciona as recentes afirmações desequilibradas do brasileiro.

“Bolsonaro pediu que os criminosos ‘morram nas ruas como baratas’, descreveu os possíveis líderes da Argentina como ‘bandidos esquerdistas’, atacou a Noruega e ridicularizou Emmanuel Macron e Angela Merkel por desafiá-lo por causa do aumento do desmatamento na Amazônia”, diz outro trecho.

A publicação britânica relembrou o que chamou de “fixação escatológica” de Bolsonaro, “fazendo uma sucessão de piadas sobre excrementos”.

“Outras digressões Bolsonarianas renderam menos manchetes, como uma entrevista no YouTube em que ele ponderou sobre a menstruação de ‘pequenas meninas indígenas’ e uma ‘live’ no Facebook, na qual brincou sobre seu ministro da Justiça ter relações sexuais com seu ministro do Meio Ambiente”, diz o “The Guardian”.

O britânico cita, também, Thomas Traumann, comentarista político brasileiro, que disse que os “bolsonaristas dedicados se divertiam com a tagarelice de seu líder” – que ele via como uma tática deliberada de Bolsonaro para energizar sua base.

“Há uma lógica nisso. Ele não está fazendo isso sem motivo. Trump faz o mesmo”, afirma.

Desastre internacional

No entanto, Traumann disse que a tagarelice do presidente é um desastre internacional de relações públicas e que teria um preço diplomático e econômico. Ao retratar o Brasil como um “bicho-papão” não confiável e destruidor da Amazônia, Bolsonaro arriscou isolar o país sul-americano e desencadear um dispendioso boicote aos produtos brasileiros. Traumann disse: “Isso não é uma piada. É real. Essas coisas acontecem”.

Traumann destacou, ainda, segundo o “The Guardian”: “Por que qualquer país gostaria de lidar com um segundo Trump? Você é obrigado a lidar com um Trump, porque são os Estados Unidos. Mas não há razão para lidar com um segundo Trump. O Brasil simplesmente não é tão importante… Não somos essenciais”.


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