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22 de setembro de 2019, 15h36

Um dos principais jornais do país, O Globo ‘esconde’ assassinato de Agatha da capa

Questão de classe estaria envolvida na escolha editorial do principal jornal do Grupo Globo em não dar o devido destaque à morte da menina

Foto: Paula Bianchi/Twitter

A morte da menina Agatha, de 8 anos, foi ofuscada por uma grande foto do Centro do Rio de Janeiro no Jornal O Globo deste domingo (22). Principal periódico do Grupo Globo, voltado para as classes A e B, O Globo decidiu não dar o devido destaque ao assassinato da criança no Complexo do Alemão e colocou como matéria secundária. Enquanto isso, no Extra, veículo do mesmo grupo voltado para as classes B, C e D, Agatha aparece com destaque, evidenciando o recorte de classe feito pelo grupo.

Uma reportagem que relaciona o aumento do desemprego com o Bolsa Família estampou mais da metade da capa do O Globo, cobrindo toda a dobra de cima do jornal, considerado o principal do Rio de Janeiro. A matéria sobre a morte de Agatha, entitulada “Morre menina de 8 anos baleada no Alemão”, vem logo abaixo, mas com bem menos destaque, escondida no meio da página. Confira no detalhe:

Reprodução/O Globo

A diferença do tratamento do caso do O Globo para o Extra, diário do Grupo Globo mais popular que o jornalão, foi notada nas redes sociais. O Extra colocou Ágatha ocupando mais da metade da capa com a matéria “Tiro de Fuzil apaga sorriso de Ágatha”. “Essas são as capas deste domingo de dois dos principais jornais do Rio. O que justifica Agatha ganhar a manchete do Extra e não do Globo? É ter sido assassinada depois do túnel?”, publicou a jornalista Paula Bianchi, editora do The Intercept Brasil, em referência ao fato das principais ligações da Zona Sul para o resto da cidade serem feitas por túneis.

O jornal O Dia, principal concorrente do Extra, também reservou um espaço no topo para denunciar a morte da menina. “Rio já tem 5 crianças mortas por bala perdida este ano”, diz a matéria.

O assassinato de Agatha ganhou grande repercussão. No sábado, diversas foram as manifestações contrárias ao episódio. Um ato foi realizado no Complexo do Alemão, onde Agatha foi morta, a hashtag #ACulpaEDoWitzel ganhou destaque nas redes sociais e uma manifestação em frente à ALERJ foi convocada para a próxima segunda-feira. Além disso, o candidato à presidência pelo PT em 2018, Fernando Haddad, chegou a pedir o impeachment do governador, que ele chamou de assassino.

 


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