No rastro do óleo do Nordeste
08 de novembro de 2019, 10h55

Veja expõe porteiro que liberou assassino de Marielle no condomínio de Bolsonaro

Reportagem ainda sustenta tese de que o porteiro, que mora em uma região dominada por milícias, se dobrou à pressão de Ronnie Lessa para mentir à polícia sobre a visita de Élcio Queiroz à casa de Jair Bolsonaro

Condomínio Vivendas da Barra (Reprodução)

A revista Veja publicou uma reportagem nesta sexta-feira (8) revelando o rosto, nome completo, endereço e fachada da casa onde mora o porteiro do condomínio Vivendas da Barra. O porteiro exposto pela revista foi quem contou à Polícia Civil do Rio de Janeiro que um dos acusados pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes pediu para visitar a casa 58, onde vivia o presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A reportagem irresponsável da Veja tem como foco a exposição da vida íntima de uma pessoa que hoje corre sério risco de vida. Em tom alarmista, a matéria “Achamos: o paradeiro do porteiro do condomínio de Bolsonaro” traz entrevistas apenas com os vizinhos e familiares do trabalhador, que o qualificam como um homem “discreto” e que não frequenta bares nem festas e nos fins de semana, também alegando que ele está mais calado depois que seu depoimento veio à tona.

O texto também explora as condições financeiras do porteiro e de sua família, descrevendo com detalhes a casa simples em que vive. “O sobrado em que vive, parecido com os outros da rua, tem dois andares e terraço. Quinze parentes convivem em cinco pequenos apartamentos de dois quartos, e no térreo, onde o portão costuma ficar aberto, membros da família mantêm uma oficina de carros improvisada. Um pequeno cartaz pregado no muro avisa que ali se vendem sacolés a 1,50 real”, consta na reportagem.

Ainda, há a menção de que o local fica próximo a uma favela que é “reduto das milícias que atuam na Zona Oeste carioca” e indica que o policial Ronnie Lessa, principal acusado de assassinar a vereadora, seja um dos chefes da região. A reportagem sustenta argumentos de que o porteiro se dobrou à pressão do miliciano para mentir à polícia sobre a visita de Élcio Queiroz à casa de Jair Bolsonaro.

O texto da revista também afirma inúmeras vezes que o porteiro mentiu à polícia, argumentando que sua versão foi confrontada pelos áudios da portaria vazados pelo filho do presidente, Carlos Bolsonaro, e que ele deve ser investigado pela Polícia Federal.


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