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13 de dezembro de 2019, 09h20

Veja festeja revolução silenciosa do liberalismo radical e compara Paulo Guedes a Ronald Reagan

Entre pérolas defendidas por um jornalismo patético, a revista comemora a taxação do seguro-desemprego e declarações de Guedes, que em "conversas reservadas" estabeleceu uma meta: "cortar o número de servidores pela metade em até seis anos"

Para Veja, Guedes atua como Ronald Reagan (Montagem)

A revista Veja que chega às bancas nesta semana festeja a “revolução silenciosa do liberalismo radical” imposta por Paulo Guedes, que é comparado a Ronald Reagan, e escancara os motivos que levaram o sistema financeiro, com os empresários e a mídia à reboque, trabalharem intensamente pela eleição de Jair Bolsonaro – mesmo sob o risco de o país cair na aventura de uma ditadura fascista.

Em sua “carta ao leitor”, com um montagem que mostra os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, ambos do DEM, segurando a reforma da Previdência, em meio a uma foto de Ronald Reagan, a Veja diz que “a eleição de Jair Bolsonaro e as fichas de uma retomada colocadas no seu apelidado Posto Ipiranga, o ministro Paulo Guedes, da Economia” não foi uma “aposta em vão”.

“Espera-se que, mesmo com a oposição das corporações e dos desvarios de Bolsonaro e de seus ministros olavistas, Guedes consiga impulsionar a sua agenda de transformação”, diz o texto, buscando distanciar o economista “formado na prestigiada Universidade de Chicago” e “firme defensor do liberalismo radical”, como o ministro é apresentado na reportagem de capa, do atabalhoado governo Bolsonaro.

Para justificar a “reforma”, Veja usa a antiga receita de culpar a gestão do PT, “calcada no terraplanismo econômico dos campeões nacionais e do ‘Estado pode tudo'”, para constuir a mentira de que “‘nunca antes na história deste país’ — para usar justamente o bordão do líder maior do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — houve recessão de tal modo expressiva”.

Uma fábrica de fake news
Superando o próprio peleguismo financeiro – que está no cerne de sua própria criação, como linha auxiliar para implantação da ditadura militar no Brasil -, na reportagem principal, Veja constrói uma narrativa digna das fake news pró liberalismo estadunidense que vem tecendo ao longo das décadas.

A revista comemora declaração de Guedes, que em “conversas reservadas” estabeleceu uma meta: “cortar o número de servidores pela metade em até seis anos”, atribuindo à gestão petista e não ao golpe parlamentar que apoiou o confisco do grau de investimento do país, em 2015.

Além disso, a revista celebra propostas como a taxação do seguro-desemprego, ideia que “foi metralhada tanto por opositores como por apoiadores do governo, a ponto de o impacto positivo de 130 bilhões de reais que traria às contas públicas em dez anos ter sido completamente ignorado. Não é fácil mudar um país”, lamenta a publicação.

Reaganomics
Em seu desvario jornalístico, a Veja compara as “reformas silenciosas” do liberalismo radical de Paulo Guedes com a “doutrina” implantada por Ronal Reagan de enxugamento do Estado nos anos 80 nos EUA, que ficou conhecida como Reaganomics.

“Assim que assumiu o poder, o político que era conhecido por sua carreira como caubói canastrão em westerns dos anos 1950 determinou com uma canetada a liberação dos preços de óleo e gás, antes controlados pelo governo. O recurso utilizado, por meio de um ato administrativo, foi muito similar aos decretos que Guedes usa no Brasil”, cita o texto, como exemplo das medidas de Reagan.

Para ilustrar a reportagem, a revista recorrer a uma foto de um desfile na Disneilândia, com os personagens de Walt Disney, numa mostra do peleguismo subserviente que a editora Abril pratica e que é copiado pelo governo Jair Bolsonaro. Um jornalismo patético, recorrendo a um personagem do mesmo Disney.

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