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01 de março de 2019, 10h40

Conhecido como “antropólogo dos ruralistas” deverá ser o segundo da Funai

Caso assuma o cargo, Edward Luz diz que vai “rever a parceria com as organizações não governamentais” e permitir mineração em terras indígenas

Foto: Facebook
Ele é chamado pelos movimentos sociais como o “antropólogo dos ruralistas”. E está cotado pelo governo Bolsonaro para assumir como número dois da Funai, conforme apurou a Repórter Brasil. Dono de uma consultoria, Edward Luz é conhecido por fazer laudos pagos por fazendeiros contra a demarcação de terras indígenas e quilombolas no Brasil – ele acusa algumas comunidades de “fraudarem” sua identidade. Luz diz que ainda não recebeu o convite do governo Bolsonaro, mas confirma que seu nome chegou às instâncias mais altas em Brasília por indicação de “uma ministra”. A Funai não conta com vice-presidência, mas a tendência é torna-lo o...

Ele é chamado pelos movimentos sociais como o “antropólogo dos ruralistas”. E está cotado pelo governo Bolsonaro para assumir como número dois da Funai, conforme apurou a Repórter Brasil. Dono de uma consultoria, Edward Luz é conhecido por fazer laudos pagos por fazendeiros contra a demarcação de terras indígenas e quilombolas no Brasil – ele acusa algumas comunidades de “fraudarem” sua identidade.

Luz diz que ainda não recebeu o convite do governo Bolsonaro, mas confirma que seu nome chegou às instâncias mais altas em Brasília por indicação de “uma ministra”. A Funai não conta com vice-presidência, mas a tendência é torna-lo o segundo homem mais poderoso da instituição.

Luz foi desligado da Associação Brasileira de Antropólogos em janeiro de 2013 por ter “postura não compatível com a ética profissional” e por atuar “em direta sintonia com os interesses das redes políticas das quais participa, de forte viés conservador e autoritário”, segundo a organização.

Atualmente, Luz é disputado por fazendeiros e empresários da região de Santarém, no oeste do Pará, para preparar ações judiciais e administrativas contra territórios indígenas e quilombolas demarcados. As peças contestam a autodenominação de alguns povos e quer criminalizar o que seriam “autodeclarações fraudulentas”.

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A Funai não confirma a indicação de Luz e informa que algumas nomeações têm sido realizadas diretamente pela Casa Civil.

Foi no Planalto Santareno, em 8 de novembro de 2018, que membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA foram intimidados ao tentarem visitar uma comunidade indígena. Dez dias antes, um quilombola fora brutalmente assassinado a golpes de chave de fenda. E, em 11 de dezembro, a Câmara Municipal votou o plano diretor de Santarém, com manobras de última hora, abrindo caminho para a construção de mais um porto na cidade para ampliar o escoamento da soja.

Foi Luz o responsável pela tensão durante a passagem dos membros, que visitaram a comunidade indígena de Açaizal.

O antropólogo seguiu a comitiva da OEA na estrada, durante visita à comunidade indígena de Açaizal, desceu do carro com a câmera ligada, disse algumas palavras em portunhol e levantou o dedo para um membro da corte: “ONGs usam as minorias étnicas contra nossa capacidade produtiva”, gritou. “Isso está prestes a acabar, ano que vem teremos um novo presidente”, concluiu, fazendo referência à eleição recente do presidente Jair Bolsonaro. A OEA emitiu nota e disse que se sentiu intimidada.

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Caso assuma o cargo na Funai, Edward Luz interviria para acabar com a parceria da fundação com ONGs. “A Funai precisa ser revista. A primeira é rever a parceria com as organizações não governamentais porque elas têm uma agenda própria que não necessariamente é a agenda dos indígenas.”

Outra medida que ele assumiria na Funai seria a de “buscar o diálogo” e permitir mineração em terras indígenas.

Com informações do UOL

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