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04 de fevereiro de 2014, 13h30

Copa 2014: é hora de dialogar

O governo do Rio Grande do Sul realizará uma série de audiências e escutas sobre a Copa, abertas à participação de qualquer cidadão pela internet

O governo do Rio Grande do Sul realizará uma série de audiências e escutas sobre a Copa, abertas à participação de qualquer cidadão pela internet Por Vinicius Wu, em Leitura Global Protestos em Porto Alegre 2013(Foto WikiCommons) Uma nova realidade política foi aberta após os protestos de junho de 2013. Há elementos novos a incidir sobre o comportamento de numerosos grupos sociais, da mídia, dos partidos e das corporações. A Copa do Mundo pode vir a reunir diversas tensões e provocar novas mobilizações – talvez não tão numerosas – porém, marcadas por uma dinâmica ainda mais caótica e radicalizada. Não...

O governo do Rio Grande do Sul realizará uma série de audiências e escutas sobre a Copa, abertas à participação de qualquer cidadão pela internet

Por Vinicius Wu, em Leitura Global

Protestos em Porto Alegre 2013
(Foto WikiCommons)

Uma nova realidade política foi aberta após os protestos de junho de 2013. Há elementos novos a incidir sobre o comportamento de numerosos grupos sociais, da mídia, dos partidos e das corporações. A Copa do Mundo pode vir a reunir diversas tensões e provocar novas mobilizações – talvez não tão numerosas – porém, marcadas por uma dinâmica ainda mais caótica e radicalizada. Não seria recomendável aos governantes uma postura contemplativa nos próximos meses. É hora de dialogar.A nova conjuntura aberta após junho acentuou o déficit de legitimidade das instituições públicas em geral. Há um amplo questionamento que atinge partidos, Congresso, governos, mídia, sindicatos, etc. E, embora muitos evitem aceitar, o fato é que há uma mudança profunda no comportamento dessas instituições. Todas elas enfrentam grande dificuldade em se posicionar, por exemplo, sobre o tema da violência nas manifestações pós-junho.A mídia – evitando repetir os erros de 2013 – flerta com os movimentos por um lado e clama por ações de força do Estado por outro. Os governos, em geral, sabem que o uso desmedido da força pode desencadear reações imprevisíveis, novas mobilizações e a condenação da opinião publica. Os partidos simplesmente fingem que não veem o que ocorre e evitam se desgastar num ano eleitoral. Então, dessa forma, vivemos uma certa banalização do que se convencionou chamar de “vandalismo”.

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Ao mesmo tempo, percebe-se que diversos setores sociais não apenas adquiriram a consciência de que é possível se mobilizar, como também apostam enormemente em sua capacidade de constranger o poder público no período da Copa e sentem-se encorajados a apresentar suas pautas, muitas vezes de forma radicalizada. Numerosos exemplos começam a pipocar pelo país. E no meio disso tudo encontra-se o debate sobre a Copa do Mundo. E o primeiro erro a ser cometido pelos governos é o de achar que o apoio ao mundial, revelado por pesquisas de opinião, resolve todo o problema das mobilizações anti Copa.

É preciso reconhecer que há muita desinformação e isso favorece a atuação de setores oportunistas. Também há de se considerar que há uma parcela da oposição que, irresponsavelmente, vê as mobilizações durante a Copa como uma forma de alterar o cenário nacional até aqui favorável a Dilma.

É hora dos governos democráticos e populares lançarem-se ao diálogo e envolver amplos segmentos sociais numa reflexão que considere os questionamentos legítimos e isole as frações oportunistas e/ou de direita infiltradas nesses movimentos.

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O Governo do Rio Grande do Sul realizará uma série de audiências e escutas sobre a Copa, abertas à participação de qualquer cidadão através da internet. Mais uma vez, o Gabinete Digital estará aberto ao debate direto e franco sobre questões que mobilizam importantes setores sociais. Será um momento de construir sínteses e proposições concretas, que minimizem tensões e proporcionem um canal efetivo de acolhimento às reivindicações sociais relacionadas ao evento de 2014. Esperamos contribuir, dessa forma, não apenas para a boa realização da Copa no Brasil, mas, principalmente, para que nossa democracia saia desse processo fortalecida e revigorada para os desafios do futuro.

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