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09 de julho de 2020, 19h35

10 projetos competem na corrida para se tornar a primeira vacina contra o coronavírus

Entre estas iniciativas mais adiantadas há 4 projetos da China, 2 dos EUA, 2 do Reino Unido, um da Rússia e outro da Alemanha. Um dos projetos chineses e um dos britânicos realizam parte das suas fases de testes no Brasil

Foto: Reprodução

Em um ano marcado por uma pandemia que já afetou mais de 12 milhões de pessoas e matou mais de meio milhão, a grande disputa científica internacional não poderia ser outra que não a corrida para apresentar a primeira vacina capaz de imunizar a população contra a covid-19, a infecção causada pelo novo coronavírus.

Em meio a essa disputa, há dezenas de candidatos ao título de primeira vacina do mundo, mas vamos fazer aqui uma singela lista dos 10 candidatos mais destacados, em uma ordem aleatória, embora seguindo o critério de escolher entre os projetos que se mostram mais adiantados, com potencial para serem concluídos e disponibilizados ao público ainda em 2020 ou nos primeiros meses de 2021, segundo seus próprios desenvolvedores.

Nesta lista estão 4 projetos impulsionados pela China, 2 pelos Estados Unidos, 2 pelo Reino Unido, 1 pela Rússia e 1 pela Alemanha. Um dos projetos chineses e um dos britânicos realizam parte das suas fases de testes no Brasil.

Estes são os competidores:

1) Sinovac Biotech (China)

É a vacina mais adiantada de todas, graças também ao fato de que foi a que largou na frente: o laboratório Sinovac Biotech iniciou os trabalhos em fevereiro deste ano, e em março já havia desenvolvido o primeiro protótipo da chamada CoronaVac.

Atualmente, o projeto já realizou a primeira etapa da sua terceira e última fase de ensaios clínicos. A segunda etapa deve acontecer no Brasil, e envolverá 12 centros de investigação do país – entre eles, o Instituto Butantan –, que selecionaram cerca de 9 mil voluntários.

A Sinovac afirma que as duas primeiras fases de testes mostraram um sucesso de 90%, ou seja, apenas 10% dos voluntários não foram imunizados. Mas os cientistas esperam que este número supere os 98% nesta última fase.

Se os resultados forem os esperados, o laboratório promete ter o produto disponível ao público já em setembro, e o Brasil poderia ser um dos primeiros a receber as doses. A Sinovac também assegura ter capacidade para produzir até 100 milhões de doses anuais.

2) Universidade de Oxford e AstraZeneca (Reino Unido)

Conhecida como “vacina de Oxford”, embora o projeto seja realizado em parceria com a farmacêutica privada AstraZeneca, também está na terceira fase de ensaios clínicos, com 4 mil voluntários no Reino Unido (já testados), outros 5 mil no Brasil e 2 mil na África do Sul. No Brasil, o estudo será realizado através do Crie (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais), ligado à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

O protótipo da vacina se chama ChAdOx1 nCoV-19 e assim como seu principal concorrente chinês também apresentou um percentual de sucesso próximo aos 90% em suas primeiras duas fases de testes clínicos.

Pesquisadores de Oxford chegaram a solicitar o governo do Reino Unido que investisse na produção em massa da vacina antes mesmo da conclusão da fase de desenvolvimento, para que o produto pudesse estar disponível ainda em 2020, mas não tiveram uma resposta positiva.

3) Moderna (Estados Unidos)

O projeto mais adiantado dos Estados Unidos também está em sua terceira fase de ensaios clínicos e é um candidato forte a vencer a disputa, com seu mRNA-1273, que será provado em 30 mil voluntários neste mês de julho.

Assim como n caso dos dois primeiros projetos, os cientistas do laboratório Moderna afirmam estar trabalhando para que seu produto esteja disponível ainda em 2020, e esperam contar com o apoio do governo estadunidense – ainda mais depois de uma queda nas ações da empresa nas últimas semanas –, já que se trata do melhor candidato do país para vencer a corrida.

4) CanSino Biologics (China)

Outro cancorrente chinês, este laboratorio desenvolveu o Ad5-nCoV. Em comparação com o projeto da Sinovac, este conta com maior apoio do governo comunista, e inclusive chegou a anunciar a decisão de pular a segunda fase de ensaios clínicos, e passar diretamente para a terceira, para equiparar os três projetos já citados.

Esse adiantamento do projeto conta inclusive com apoio militar: a vacina da CanSino passou a ter colaboração da Academia de Ciências Militares da China, que selecionou 6 mil membros das Forças Armadas, que serão os voluntários que serão testados nesta terceira fase de testes.

Este candidato também promete conclusão e disponibilização do produto ainda em 2020.

5) Gamalei (Rússia)

O projeto mais ambicioso da Rússia promete ter sua vacina, a CICN-48, pronta já em setembro. Está sendo desenvolvida pelo Centro Nacional de Investigação de Epidemiologia e Microbiologia Gamalei, com forte apoio do governo desse país.

Assim como o projeto da CanSino, este também conta com apoio das Forças Armadas. Sua terceira fase de ensaios clínicos, que está sendo realizada entre estes meses de junho e julho, provará 5 mil oficiais militares russos, 3 mil homens e 2 mil mulheres.

O governo da Rússia assegura que já está sendo preparada a estrutura para a produção massiva da vacina assim que o projeto for concluído.

6) CureVac (Alemanha)

O projeto deste laboratorio alemão já encerrou recentemente sua segunda fase de ensaios clínicos. Poderia ter seus trabalhos mais adiantados mas perdeu algum tempo em março, devido ao seu envolvimento em uma polêmica com o governo dos Estados Unidos.

Naquele então, a imprensa alemã descobriu que o governo estadunidense chegou a propor uma grande quantidade de dinheiro para que a empresa entregasse a vacina ao seu país de forma exclusiva, o que proibiria sua comercialização e disponibilização a qualquer outra nação do planeta, salvo com consentimento e indenização aos Estados Unidos.

O governo alemão chegou a intervir na questão após se descobrir essa informação, e garantiu que a vacina será comercializada ao menos com todos os países da União Europeia.

No entanto, a empresa afirma que o produto deve estar disponível somente no início de 2021.

7) Sinopharm (China)

O terceiro candidato da potência asiática também já está na sua terceira fase de ensaios clínicos, mas esta só deverá acontecer em agosto.

Diferente dos outros dois projetos chineses, o da Sinopharm deve realizar todos os testes desta última fase fora do país: para isso, fez acordos com governos de Emirados Árabes, Quênia, Nicarágua, Tadjiquistão e Sérvia. No total, cerca de 2 mil pessoas serão provadas.

A previsão da empresa é de que sua vacina também estará disponível somente no inicio de 2021.

8) Inovio (Estados Unidos)

O INO-4800 é um dos projetos patrocinados pela Fundação Bill e Melinda Gates e está na segunda fase de testes, mas se espera que passe à terceira até o final do verão estadunidense, em setembro.

Alguns meios da imprensa local qualificam este projeto como mais eficiente que o da Moderna (o outro candidato estadunidense) já que sua eficácia na primeira fase de testes foi a maior de todos os projetos conhecidos até agora: apresentou imunidade total em 34 dos 36 pacientes testados (94,4%).

A previsão é de que esteja concluído e disponibilizado ao público somente em 2021.

9) Imperial College de Londres (Reino Unido)

O segundo projeto britânico já está na segunda fase de ensaios clínicos, que contará com 300 voluntários.

Embora esteja mais atrasado que a “vacina de Oxford”, já conta com uma estrutura para produção do produto, que deve estar pronto no primeiro trimestre de 2021, graças a um acordo com a empresa VacEquity Global Health.

10) Instituto de Biologia Médica da China

Dos quatro melhores projetos chineses, é o que está mais atrasado, mas também já chegou à segunda fase de ensaios clínicos, e projeta uma conclusão ainda no primeiro trimestre de 2021.

O Instituto de Biologia Médica da Academia China afirma que sua vacina terá um 100% de sucesso, e que não será a primeira, mas será a mais segura de todas, segundo matéria publicada pela agência de notícias chinesa Xinhua.


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