Conselho Federal de Medicina divulga nota em defesa de máscara, vacina e isolamento social

Órgão virou alvo de críticas por se omitir em relação ao "tratamento precoce" contra Covid-19. Novo texto, no entanto, associa lockdown a desemprego

Vacina Oxford Astrazeneca Coronavírus para Covid. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo
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O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou nesta quinta-feira (4) uma nota à população na qual defende o uso de máscaras, higienização das mãos, isolamento social e vacinação no combate à pandemia da Covid-19. Sem citar a palavra "lockdown", o texto, no entanto, também associa medidas restritivas a desemprego.

"É fundamental que o brasileiro, no seu cotidiano, adote medidas como uso de máscaras, a higienização frequente das mãos, o distanciamento social e a proteção de olhos e mucosas, bem como os cuidados com os grupos vulneráveis", diz trecho da nota.

Em seguida, o conselho afirma que governos devem considerar a adoção de "medidas restritivas" para evitar colapsos no sistema de saúde, mas que decisão também pode gerar "consequências graves" para a sociedade.

"Além de providenciarem a infraestrutura adequada para os atendimentos, a fim de garantir a ampla assistência, os governos devem considerar que a adoção de medidas restritivas de caráter local pode reduzir, momentaneamente, a pressão da demanda sobre o sistema de saúde, como tentativa de evitar o colapso. Por outro lado, podem também gerar consequências graves e de efeito duradouro para a sociedade, como o fechamento de empresas, desemprego e surgimento de doenças mentais em adultos, jovens e crianças", completa o texto.

A nova nota do CFM ocorre após pressões contra o órgão para que se posicione contra o que o governo Bolsonaro chama de "tratamento precoce" para a doença. O conselho se tornou alvo de críticas por se omitir em relação ao assunto.

Nesta quinta-feira (4), médicos moveram uma ação no Ministério Público Federal (MPF) contra o CFM. O documento aponta que houve omissão do órgão por não ter alertado corretamente a população sobre a utilização de cloroquina e ivermectina no tratamento contra Covid-19.

Lockdown e fake news

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar as medidas de isolamento social rígido (lockdown) em sua live presidencial realizada nesta quinta-feira (4). Mais cedo, o mandatário já havia feito discurso contra as restrições. Nesta quinta, o Brasil registrou 1699 mortes diárias por Covid-19, segunda maior marca desde o início da pandemia.

“Rapidamente, o conselho regional de medicinado DF é contra o lockdown. Pessoal que gosta de falar em ciência… Tá aqui o CRM dizendo que é contra o lockdown”, disse o presidente.

Bolsonaro leu trecho da nota e repercutiu a fake news contida na nota, de que David Nabarro, enviado especial da OMS, teria dito que “lockdown não salva vidas e faz os pobres muito mais pobres”. Essa declaração nunca ocorreu.