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25 de março de 2020, 17h46

Anistia Internacional rebate pronunciamento de Bolsonaro

ONG destaca que é obrigação do Estado proteger toda a população brasileira

Pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, em cadeia nacional de rádio e televisão, sobre o enfrentamento à Covid19 Foto: Reprodução TVbrasilgov

A ONG Anistia Internacional emitiu uma nota de posicionamento sobre o discurso do presidente Jair Bolsonaro na última terça-feira (24). Para a organização, “o Estado Brasileiro tem a obrigação de garantir a proteção necessária a todos e todas nós”.

“As evidências científicas, as recomendações das autoridades sanitárias mundiais e os fatos mostram a gravidade da Covid-19 para a saúde e para os sistemas de saúde de todos os países”, afirma a nota. A ONG defende que saúde e vida são direitos essenciais que precisam ser protegidos. “Somos 220 milhões de brasileiros e brasileiras. Imagine se nos infectarmos e precisarmos correr aos hospitais ao mesmo tempo, como aconteceu nos países mais afetados? É isso que o os governantes brasileiros devem priorizar evitar agora.”

Em pronunciamento na noite de terça, Bolsonaro descreveu a atual situação como “um cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalha-se pelo nosso país”. O presidente também sugeriu que os governadores que têm imposto medidas mais restritivas e a mídia estão tendo uma posição exagerada e sugeriu que a população deveria retornar à vida normal, indo na contramão das recomendações de especialistas do Brasil e do mundo. “O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade. Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, como proibição de transporte, fechamento de comércio e confinamento em massa”, disse.

A Anistia defendeu que é preciso “adotar todas as medidas necessárias para garantir que todos e todas” tenham condições de se proteger. Para a ONG, “a pandemia da Covid-19 pode ser devastadora para os grupos mais vulneráveis socioeconomicamente, além de idosos e pessoas com sistemas imunológicos mais frágeis”.

A organização ainda afirma que é dever do Estado proteger todos os cidadãos. “Cabe aos chefes do executivo federal, estaduais e municipais e aos demais poderes adotar todas as medidas a seu alcance para proteger cada um dos brasileiros e brasileiras, respeitando os direitos humanos, além de inspirar as pessoas a cumprirem as medidas sanitárias adequadas, e dar o exemplo”, diz a nota.

A ONG ainda lembra do comunicado divulgado nesta terça (24) em que orientava os governos das Américas a respeitar, acima de tudo, os direitos humanos nas medidas de combate à pandemia.


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