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13 de maio de 2020, 19h38

Após 2,6 mil infectados em 24 horas, Chile decreta lockdown em Santiago e convoca médicos estrangeiros

Governo do neoliberal Sebastián Piñera sofreu fortes críticas dos prefeitos da região metropolitana da capital, que estavam há semanas pedindo por essas medidas

O ministro da Saúde do Chile, Jaime Mañalich, faz anúncio junto com sua equipe (foto: Ministério da Saúde do Chile)

O Chile viveu nas últimas 24 horas o seu pior dia, desde o começo da pandemia do coronavírus. Nesta quarta-feira (13), o Ministério da Saúde do país anunciou 2,6 mil novos contágios, sendo 2,2 mil somente na região metropolitana da capital Santiago.

Por esse motivo, o governo de Sebastián Piñera (direita liberal) decidiu, finalmente, decretar o chamado “lockdown” na capital. A partir do dia 15 de maio, a região metropolitana de Santiago entrará em regime de quarentena total, por tempo indeterminado.

No total, o Chile já registra 34,4 mil infectados, com 346 mortes e 14,9 mil pessoas recuperadas, segundo o observatório da Universidade Johns Hopkins. A região metropolitana de Santiago reúne 72% desses casos, com 25 mil infectados e 184 mortes, além de 11,7 mil recuperados.

Até então, o país andino seguia uma estratégia chamada pelo governo de “isolamento dinâmico”, pela qual só se decretava quarentena nos setores da cidade que julgava mais afetados, deixando outros livres de medidas, ou com medidas parciais.

A decisão de adotar o lockdown só agora, dois meses e meio depois dos primeiros casos no país, não ficou isenta de críticas, especialmente por parte dos prefeitos da capital, que reclamaram da demora em se tomar a medida.

Vale lembrar que Santiago é uma cidade dividida em comunas, ou seja, cada setor da cidade elege seu próprio prefeito, que pode ser governista ou opositor, mas neste caso, até mesmo prefeitos governistas se queixaram da lentidão do governo com respeito ao fechamento total da cidade.

O mais crítico, de qualquer forma, foi um opositor. Daniel Jadue, prefeito da comuna de Recoleta e militante do Partido Comunista chileno, afirmou que o governo “esperou que os contágios chegassem a 2,6 mil por dia para decretar quarentena total. Nunca escutaram os prefeitos, nem mesmo os que são aliados, e que pediram por essa medida. O presidente (Piñera) deve pedir desculpas ao país e assumir a responsabilidade política por isso”.

Já o ministro da Saúde, Jaime Mañalich, comentou que “a batalha por Santiago é crucial na guerra contra o coronavírus. Por isso, devemos tomar todas as medidas necessárias”. Ele também anunciou que as pessoas com mais de 75 anos estão obrigadas a cumprir quarentena, independente da cidade onde vivem.

No entanto, outros prefeitos de fora da região metropolitana de Santiago também pedem que o governo decrete quarentena total em seus municípios, como é o caso de Valparaíso, Viña del Mar, Antofagasta, Concepción, Iquique e Puerto Montt.

Além disso, o governo do Chile aproveitou para anunciar um projeto para convocar médicos estrangeiros para atuar no país, e pediu ao Congresso que ele possa tramitar de forma urgente, para que esses profissionais possam chegar ao país o antes possível.

“Temos 87% da nossa capacidade de resposta já ocupada, e precisamos de mais pessoal de forma urgente”, implorou o ministro Mañalich.


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