Após confusões com Bolsonaro, doses da Pfizer começam a chegar ao Brasil no fim do mês

Se o Governo Federal tivesse fechado contrato em agosto de 2020, as primeiras doses teriam chegado há cinco meses

As primeiras doses da vacina da farmacêutica Pfizer com a BioNTech chegam ao Brasil a partir do dia 29 de abril. A data é cerca de cinco meses após o prazo previsto caso o governo do presidente Jair Bolsonaro tivesse fechado um contrato com a empresa em agosto de 2020.

Segundo informações do jornalista Kenzô Machida, da CNN Brasil, os imunizantes saem da Bélgica em uma segunda-feira, 26, e aterrizam no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), na quinta-feira (29). Serão 1 milhão de doses nesse primeiro momento.

O contrato com a farmacêutica prevê o fornecimento de 100 milhões de doses, sendo 18,5 milhões até junho.

O presidente Jair Bolsonaro se recusou a fechar acordo por 70 milhões de doses com a empresa em 2020. Foi contra a Pfizer que o mandatário deu a estapafúrdia declaração de que alguém poderia “virar um jacaré” com a medicação.

O laboratório fez três propostas ao governo brasileiro. Na primeira delas, o lote inicial seria entregue em dezembro de 2020, sendo 3 milhões até fevereiro.

Com a resistência do governo, a Pfizer chegou a prometer entregar 1,5 milhões de unidades do imunizante em dezembro.

A pouca quantidade das primeiras levas foi um dos fatores utilizados pelo Ministério da Saúde, em janeiro, para justificar a rejeição à farmacêutica, dizendo que isso “causaria frustração”. No entanto, agora acontece um cenário similar, após o ministro Marcelo Queiroga antecipar parte das entregas.

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e latino-americanista convicto, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum América Latina