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24 de junho de 2020, 16h01

Após criticar isolamento e afirmar que o vírus tem que “viajar”, Zema diz que MG deve ter lockdown

Alinhado a Bolsonaro, o governador era contra a quarentena e, em abril, disse que o vírus precisa infectar algumas regiões; agora, estado bate recorde de mortes e mandatário será obrigado a adotar medidas radicais

Romeu Zema e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução/Facebook)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou em entrevista à TV Globo nesta quarta-feira (24) que há 90% de chances de decretar lockdown no estado nas próximas semanas.

O anúncio vem um dia após Minas Gerais bater recorde de mortes em um dia causadas pelo coronavírus: foram 51 novos registros.

“Poderemos ter o lockdown, sim, mas em determinadas regiões aonde a incidência está muito acima do que seria considerado adequado”, afirmou o governador.

O mandatário anunciou ainda que já a partir desta quinta-feira (25) passará a adotar medidas mais rígidas.

“A partir de amanhã, para poder lembrar a população que, de certa maneira tem relaxado, nós estaremos adotando medidas mais fortes”, afirmou o governador, informando ainda que a Polícia Militar abordará pessoas que estiverem nas ruas sem máscara, causando aglomerações ou desrespeitando o isolamento social.

Além do crescimento vertiginoso de casos confirmados de Covid-19 e óbitos causados pela doença, o estado é um dos que menos realiza testes no Brasil, indicando que há subnotificação, e já tem mais de 90% dos leitos de toda a rede hospitalar, pública e privada, lotados.

Vírus precisa “viajar”

As medidas mais radicais contra o coronavírus anunciadas por Zema mostram uma mudança total de discurso, já que desde o início da pandemia no Brasil que o governador vinha seguindo a linha de Jair Bolsonaro e minimizando a gravidade da situação.

Contrário às medidas de isolamento social, em abril Zema chegou a afirmar que a quarentena não era necessária, pois o vírus precisaria “viajar” e infectar algumas regiões.

“Nessa crise nós precisamos que o vírus viaje um pouco. Se nós impedirmos ele totalmente, ele acaba deixando algumas regiões sem estarem infectadas e amanhã nós vamos ter uma onda gigantesca nessa região. “O ideal é que ele se propague, mas devagar, e a ausência total de propagação é ruim”, disse à época.

Até terça-feira (23), Minas Gerais já havia registrado 29.897 casos confirmados de Covid-19 e 720 óbitos causados pela doença, de acordo com o Ministério da Saúde.


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