Fórum Educação
28 de março de 2020, 06h48

Após reação de Bolsonaro ao coronavírus, cúpula militar se reúne em Brasília e sinaliza apoio a Mourão

Perguntado se daria um golpe, em entrevista ao Datena, Bolsonaro não descartou a possibilidade

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Diante das reações do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido-RJ) à crise de coronavírus, representantes da Aeronáutica, Exército e Marinha sinalizaram ao vice-presidente, general Hamilton Mourão (PRTB), nesta semana, que poderiam contar com o apoio deles, caso o ocupante do Palácio do Planalto deixasse o cargo por meio de um impeachment ou renúncia.

Militares têm feito seguidas reuniões em Brasília, inclusive com aliados de Bolsonaro e membros civis de seu primeiro escalão. Nesta semana, ao menos dois encontros ocorreram. Neles foram debatidos cenários hipotéticos para o médio e longo prazo.

Foi relatado ao EL PAÍS por dois participantes dessas reuniões que o grupo está preocupado com um possível aumento repentino de registros e mortes provocadas pela doença e que isso seja vinculado ao discurso de negação feito por Bolsonaro sobre a gravidade da Covid-19. Eles disseram ainda que, quando o presidente sugere o fim das quarentenas e dos isolamentos sociais decretados por governadores e prefeitos, ele pode soar insensível.

Por sua vez, Mourão, que é o responsável por atrair a maçonaria à campanha de Bolsonaro, já garantiu o apoio dela caso tenha de assumir o Planalto.

Na terça-feira, o comandante do Exército, o general Edson Leal Pujol, contrariou Bolsonaro e declarou que os militares devem, sim, se preocupar com a Covid-19 e disse que o combate à disseminação da doença “talvez seja a missão mais importante de nossa geração”.

Já, por outro lado, Bolsonaro concedeu, na tarde desta sexta-feira (27), uma entrevista por telefone ao apresentador José Luiz Datena, do Brasil Urgente, da Band. Questionado por Datena se seria capaz de “dar um golpe e fechar o Brasil”, o capitão da reserva se limitou a responder que “Quem quer dar o golpe jamais vai falar que quer dar”.

“Estou quase na metade do segundo ano de mandato aqui, não tomei nenhuma medida contra a imprensa brasileira, como o partido que tava lá atrás”, disse, sem responder objetivamente à pergunta.

Com informações do El País


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