Assustador: página no Facebook reúne centenas de denúncias de surtos de Covid em escolas de SP

Professores, funcionários e pais de alunos de escolas municipais, estaduais e particulares relatam até mortes e sugerem situação fora de controle em unidades de ensino em meio a um dos momentos mais críticos da pandemia

Nesta sexta-feira (16), o governo de São Paulo rebaixou capital paulista e mais três regiões à fase laranja do “Plano São Paulo” de controle da pandemia do coronavírus. As regiões de Ribeirão Preto e Marília, por sua vez, que estavam na fase laranja, regrediram à vermelha, na qual apenas serviços essenciais estão liberados. 

As alterações nas regras de restrição se dão por conta a nova explosão de casos, mortes e internações por Covid-19 que vem sendo observada em inúmeras cidades do país. Nesta quinta-feira (25), o Brasil bateu recorde no número de mortes em decorrência da doença em um dia desde o início da pandemia.

Mesmo diante da situação crítica, os governos do estado e da capital paulista decidiram manter as aulas presenciais nas escolas, que são rechaçadas por parte dos professores que encampam uma greve sanitária, denunciando o risco de contágio nas unidades de ensino.

Nesta quinta-feira (25), com o intuito de mostrar qual a situação real das escolas com relação à pandemia, a professora Nelice Pompeu, que dá aulas na rede municipal, criou a página “Movimento Escolas Sem Luto”, que reúne denúncias de falta de segurança sanitária nas escolas, casos confirmados de Covid e surtos da doença em unidades de ensino e até mesmo mortes de professores e funcionários.

Em apenas 24 horas de funcionamento a página recebeu inúmeras denúncias, que vem de escolas particulares e da rede pública, do ensino infantil ao ensino médio, de todo o estado. São relatos de unidades de ensino suspendendo as aulas por conta de contágio de professores, alunos com sintomas e até mesmo mensagens de luto de profissionais de educação que morreram em decorrência a Covid.

“O pânico tem se espalhado o risco de contaminação é real, porém parece que o governo quer mascarar a gravidade da situação, omitindo dados e passando uma ‘normalidade’ que não existe! A situação se agrava , pois não há orientações precisas sobre como a escola deve proceder em caso de contágios nas unidades! E essa página foi criada como canal de DENÚNCIAS, para divulgarmos os casos de COVID nas escolas públicas e privadas do Estado de SP”, diz uma mensagem do movimento fixada na página.

Segundo a professora Nelice Pompeu, a página já recebeu mais de 200 denúncias. “E elas não param de chegar”, adiciona, informando ainda que, na próxima semana, se reunirá com representantes do Ministério Público e da secretaria municipal de Educação para apresentar os relatos recebidos.

Levantamento feito pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) nesta quinta-feira (25) dá conta de que, somente nas escolas estaduais, são cerca de 1.070 casos de Covid.

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“A Apeoesp recebeu denúncias de mais de 1.070 casos de covid-19 em cerca de 570 escolas estaduais. Já são, pelo menos, 17 óbitos. Nós protocolamos representação no Ministério Público e estamos exigindo das diretorias de ensino o fechamento das unidades escolares. São Paulo tem no momento o maior número de pessoas internadas em UTI desde o início da pandemia. Não podemos colocar os nossos professores, alunos e a comunidade escolar em risco. Isso é inaceitável”, afirma a presidenta do sindicato, a deputada estadual Professora Bebel (PT).

Outro lado

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Em nota enviada à Fórum, a secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduco) informou que, quando há casos de Covid confirmados em escolas, “o protocolo orienta que servidores e estudantes sejam prontamente afastados e que todos que tiveram contato direto com o contaminado fiquem em atividades remotas, conforme orientações da vigilância em saúde do município”.

A pasta diz ainda que “todos os casos, suspeitos e confirmados são acompanhados por meio do Simed (Sistema de Informação e Monitoramento da Educação para Covid-19 da Seduc-SP)”.

Confira a íntegra da nota.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SP) informa que todos os casos, suspeitos e confirmados, são acompanhados por meio do Simed (Sistema de Informação e Monitoramento da Educação para Covid-19 da Seduc-SP). O protocolo orienta que servidores e estudantes sejam prontamente afastados e que todos que tiveram contato direto com o contaminado fiquem em atividades remotas, conforme orientações da vigilância em saúde do município.  

A Pasta ressalta que fica sob competência da área de saúde as notificações dos dados relativos à investigação epidemiológica e discussão da evolução da transmissão da COVID-19. As estratégias de combate à disseminação da Covid-19 são de responsabilidade das unidades de saúde locais.

A Seduc-SP também informa que, no momento, a equipe da Citem (Coordenadoria de Informação, Tecnologia e Matrícula), a Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo) e a Comissão Médica da Educação estão mobilizadas na elaboração e homologação dos indicadores de processo e resultados que farão parte do Painel de Monitoramento (Business Intelligence), estruturado para permitir que as escolas possam acompanhar o impacto da pandemia localmente, além de permitir às diretorias de ensino as informações contidas no Simed/Seduc, provendo conhecimento para subsidiar decisões da Secretaria da Educação.

A partir da semana que vem, com a plena operação do sistema de Business Intelligence, a Secretaria da Educação passará a compartilhar novamente os levantamentos do Simed, em coletiva, com data e horário comunicados à imprensa.

Fórum ainda aguarda posicionamento da secretaria municipal de Educação.

Confira, abaixo, alguns dos relatos que vêm sendo divulgados pelo Movimento Escolas Sem Luto.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_