Fórum Educação
31 de março de 2020, 06h53

Até Carla Zambelli defende “isolamento em todas as atividades”: Bolsonaro tem “problema de comunicação”

Afilhada de Sergio Moro, Carla Zambelli, que é líder do movimento nas ruas, disse ainda ser contra as carreatas feitas pela "classe média" contra o fim do confinamento: Me pediram, mas não divulguei

Bolsonaro, Carla Zambelli e Sergio Moro (Foto: Reprodução/Twitter)

Principal aliada de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional e afilhada de casamento de Sergio Moro, a deputada Carla Zambelli defendeu o “isolamento em todas as atividades que podem ser feitas à distância”, contrariando a opinião do presidente que tem pregado a abertura do comércio – e até pensa em editar decreto para isso.

“A gente tem que manter o isolamento em todas as atividades que podem ser feitas à distância”, disse em entrevista à Folha de S.Paulo nesta terça-feira (31), ressaltando que compartilha “o sentimento do presidente em casos nos quais não se pode trabalhar em casa, como ambulantes, catadores de lixo, pessoas que têm comércio pequeno, cabeleireiros”. “Tem chegado a mim, e acho que acontece o mesmo com o presidente, pessoas pedindo pelo amor de Deus para voltar a trabalhar”, complementou.

Segundo Zambelli, que liderou atos de apoio ao presidente, Bolsonaro “tem um problema de comunicação”. “Houve um problema de comunicação entre os ministros e o presidente, e dele para conosco. No sábado, teve reunião e o presidente se alinhou com Mandetta”, afirmou.

A deputada disse ainda ser contra as carreatas de bolsonaristas pedindo o fim do confinamento. “Não divulguei nenhuma carreata, e me pediram para divulgar. Acho que não é momento de fazer esse incentivo de volta ao trabalho. A gente precisa entender melhor como o vírus funciona. As carreatas estão sendo feitas por uma classe média, e quem vai acabar sofrendo com o vírus serão as pessoas mais pobres. Ao mesmo tempo, a classe média está desesperada porque tem conta para pagar, mas também teve medida do governo para ajudar esses empresários”.

Com a empregada e a filha dela em sua casa – “a moça que trabalha comigo estava preocupada de ficar desabastecida onde ela mora, então eu trouxe ela pra cá” -, Zambelli diz que está em isolamento com o filho, o enteado e a mãe, que é parte do grupo de risco, e diz que Bolsonaro faz “brincadeiras” ao indicar o uso de hidroxicloroquina em suas lives nas redes sociais.

“Quando ele mostrou a caixinha [na live], já precisava de receita para comprar e o remédio acabou nas farmácias antes de ele mostrar. Acho até que essa foi uma brincadeira que talvez não precisasse ser feita. Na ânsia de tentar tranquilizar, ele comete alguns erros de comunicação, mas a intenção era mostrar que o governo está preocupado com não desabastecer o Brasil de uma possível cura. Vem o lado bem-humorado do presidente de brincar com isso, que eu acho que as pessoas não estão acostumadas. Foi mais uma brincadeira do que irresponsabilidade”.


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