O que o brasileiro pensa?
23 de junho de 2020, 16h40

Ativista trans Amanda Marfree morre de Covid-19 aos 35 anos

Amanda foi uma das primeiras beneficiárias do programa Transcidadania, da prefeitura de Fernando Haddad, a concluir o ensino médio, e desde então vivia o ativismo ajudando outras mulheres trans em situação de vulnerabilidade, inclusive na pandemia; "O único lugar que a travesti tinha era a esquina. Agora tem a escola", disse em entrevista à Fórum em 2015. Relembre

Amanda Marfree (Reprodução/Instagram)

Ícone do ativismo LGBT na cidade de São Paulo, Amanda Marfree, mulher trans de 35 anos, faleceu na manhã desta terça-feira (23) em decorrência da Covid-19.

Amanda trabalhava no Centro de Referência e Defesa da Diversidade em São Paulo e foi uma das primeiras beneficiárias do programa Transcidadania, da prefeitura de Fernando Haddad, a concluir o ensino médio, em 2015.

Desde então, atuava ajudando a população trans em situação de vulnerabilidade, inclusive durante a pandemia.

De acordo com a atriz Renata Carvalho, Amanda havia testado negativo para a Covid-19 recentemente mas, dias depois, começou a se sentir mal e passou alguns dias acamada antes de ser hospitalizada e falecer.

“Conversamos por vídeo esse final de semana, mostrou as doações que chegaram na sua casa, sobre transfobia, travestis em vulnerabilidades e futuro. Ela estava acamada, ruim há 5 dias, mas tinha feito o teste do COVID-19 antes, e dado negativo. Pegou em seguida ao teste. Pegou fortalecendo outras iguais a nós. Coisa de gente com alma grande, enorme. Mandei mensagem segunda, não obtive mais resposta, soube que foi internada. O mundo fica menos solidário”, relatou Renata em postagem nas redes sociais.

“Eu acho que no termo ‘LGBT’ a parte mais vulnerável é o ‘T’. Estamos sempre militando por isso, porque é a parte mais fraca e agredida. Sempre tive uma militância, mas não dessa forma. Eu não tinha voz e não tinha o conhecimento que eu poderia ir numa Câmara [Municipal], por exemplo. O Transcidadania me deu isso: me tirou do umbral e me levou para a luz”, disse Amanda em entrevista exclusiva concedida à Fórum em 2015, quando estava prestes a se formar no programa Transcidadania.

“O único lugar que a travesti tinha era a esquina, agora tem a escola”, disse a ativista. Confira a íntegra da entrevista aqui.

No último dia 8 de junho, pelo Instagram, Amanda fez uma postagem afirmando que  “precisamos olhar onde a ponta estão mais esquecidas e vulneráveis”, com uma foto de uma ação de solidariedade que participou.

Pelas redes sociais, colegas, ativistas e outras pessoas que conheciam Amanda, que era pré-candidata a vereadora, prestaram homenagens. “Que dia triste. Que momento triste. O Traviarcado perde mais uma brava guerreira travesti. O Traviarcado está em luto”, escreveu Renata Carvalho.


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