Fórum Educação
04 de abril de 2020, 13h13

Bolsonaro diz que pediu à Índia insumos farmacêuticos para produção da cloroquina

Bolsonaro insiste em indicar a hidroxicloroquina mesmo sem dados científicos que comprovem a eficácia no tratamento do coronavírus

Jair Bolsonaro com ministros e assessores (Reprodução/Twitter)

Mesmo sem dados científicos que comprovem a eficácia no tratamento do coronavírus, Jair Bolsonaro anunciou pelo Twitter neste sábado (4) que entrou em contato com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para pedir insumos farmacêuticos para a produção da hidroxicloroquina.

“Neste sábado, em contato com o Primeiro-Ministro da Índia,
@narendramodi, solicitei apoio na continuidade do fornecimento de insumos farmacêuticos para a produção da hidroxicloroquina. Não mediremos esforços para salvar vidas”, tuitou Bolsonaro.

Mais cedo, o presidente anunciou que zerou os impostos federais sobre o medicamento, além de outras substâncias que estariam sendo testadas para tratamento da covid-19.

“Medicamentos (entre outros) que tiveram todos seus impostos zerados pelo Governo Federal: Hidroxicloroquina e Azitromicina. Outros que serão “zerados” nos próximos dias: Zinco e vitamina D”.

Declarações nas redes
Em entrevista ao jornal O Globo, o médico Luiz Vicente Rizzo, diretor de Pesquisa do Hospital Albert Einstein, que coordena a coalizão Covid Brasil, com 70 hospitais e 1.360 pacientes, disse que as declarações de cura e de incentivo do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina nas redes sociais, como vem sendo feitas por Jair Bolsonaro e pelos filhos, atrapalham “imensamente a ciência”.

“Fazer ciência na era das redes sociais, em especial na área de Saúde, dificulta o lado científico. A gente fala que não tem dados, mas daí a pessoa vê milhares de mensagens dizendo que alguém tomou cloroquina e melhorou… A verdade só vai sair com a pesquisa científica”, afirmou.

Segundo Rizzo, do ponto de vista científico “a gente não tem nenhum dado claro que aponte para a utilidade da cloroquina no combate ao coronavírus”.

“A gente tem boas indicações. E boas indicações, no momento, é algo bom, pois não existe nenhum tratamento específico. Boa indicação é melhor que nenhuma indicação”.


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