domingo, 27 set 2020
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Confirmado em SP primeiro caso de metroviário contaminado por coronavírus

Por Igor Carvalho, no Brasil de Fato

O Metrô confirmou, nesta quinta-feira (19), o primeiro caso de coronavírus entre os seus trabalhadores. Trata-se de um homem, que não teve a identidade e a idade revelada, mas que foi afastado de suas funções até que se recupere da doença.

Em nota enviada ao Brasil de Fato, a estatal falou sobre o caso. “O Metrô foi comunicado por apenas um empregado sobre o diagnóstico do covid-19. O colaborador está afastado e em isolamento em sua residência, conforme orientações do Comitê de Contingência do coronavírus. O Metrô acompanha seu quadro clínico, fornecendo todo o suporte necessário para sua recuperação.”

De acordo com o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, outros seis trabalhadores estão com suspeita de contaminação por coronavírus, mas não conseguiram realizar o exame para comprovar.

“Hoje, nós temos seis casos suspeitos e um confirmado. Apenas um fez o exame e confirmou, os demais não conseguiram, pois os hospitais estão realizando exames apenas em casos emergenciais ou de pessoas consideradas de grupos de risco. Não podemos continuar operando dessa forma, há o risco de contaminarmos a população e de que a população contamine os trabalhadores que estão saudáveis”, afirma Wagner Fajardo, coordenador-geral dos Metroviários.

Brasil de Fato conversou com um dos trabalhadores com suspeita de contaminação por coronavírus, que não será identificado nesta matéria. Ele conseguiu um atestado médico e foi afastado por 14 dias do trabalho. Agora, está em casa, esperando que os sintomas da doença desapareçam.

“Eu estava com muita tosse, dor de garganta e dificuldade de respirar. Parecia que eu tinha corrido uma maratona. Ele perguntou se eu tinha asma, bronquite ou alguma doença respiratória. Eu disse que fumava. Ele associou todas as informações e optou pelo meu afastamento, pela quarentena”, afirma o metroviário.

O trabalhador afirma que só foi ao médico após conviver com os sintomas por alguns dias, mas não sabe dizer se chegou a frequentar as estações e plataformas do Metrô enquanto estava contaminado. Perguntado se conseguia identificar o local em que se contaminou, ele apontou o local de trabalho. “A gente acha que o mais óbvio seria no Metrô, por conta da circulação das pessoas, o ar-condicionado das cabines, mas não tem como saber exatamente”, diz.

Ainda de acordo com o metroviário, o Metrô demorou para tomar uma atitude. “No Metrô, eles dispensaram o pessoal com mais de 60 anos, mas deixou nós, da operação, ao deus-dará”. Fajardo concorda. “Eles estão esperando uma tragédia? Olha quantas pessoas embarcam nas estações por dia”, ressalta.

Procurado, o Metrô se limitou a confirmar a contaminação do trabalhador, mas não comentou as críticas. O hospital onde o metroviário afirma ter se consultado, não informou à reportagem se é política da unidade não encaminhar casos suspeitos para o exame, mesmo que não estejam nos grupos de risco.

Redação
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