segunda-feira, 26 out 2020
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Coronavírus: Após os EUA, União Europeia também vai barrar entrada de brasileiros

de Bruxelas (Bélgica)

A União Europeia detalhou nesta quinta-feira (11) uma plano para a reabertura das suas fronteira externas a partir do próximo dia 1º de julho. De acordo com as regras, não será permitida a entrada de quem reside em países onde a pandemia de coronavírus não está controlada, informou a Comissão Europeia, o poder Executivo do bloco, em anúncio acompanhado pela Fórum.

Os números de novas infecções e a taxa de contagio atuais do Brasil, na prática, o colocam entre os países que terão os seus residentes barrados nas fronteiras europeias. A lista dos países ainda não está definida, mas começa a ser elaborada já nesta quinta.

A comissária para Assuntos Internos da União Europeia, Ylva Johansson, afirma que a situação epidemiológica de cada nação será o principal critério de decisão sobre quem terá acesso ao território europeu, e a lista será ampliada aos poucos. Além dos dados sobre a propagação do vírus, quantidade de testes, rastreamento de contatos e medidas de prevenção de contágio também serão considerados.

“Como a situação da saúde em certos países terceiros permanece crítica, a Comissão não propõe um levantamento geral da restrição de viagens nesta fase. A restrição deve ser levantada para os países selecionados com base em um conjunto de princípios e critérios objetivos”, diz trecho do comunicado.

A se confirmar a inclusão na lista, os brasileiros podem ser impedidos de entrar em todos os 27 países membros e nos outros quatro que fazem parte do espaço Schengen de livre circulação (Islândia, Noruega, Suíça e Liechtenstein).

Epicentro da pandemia, isolado do mundo

Até a manhã desta quinta, o Brasil continuava com o segundo maior número de casos de coronavírus no mundo (mais de 775 mil), atrás apenas dos Estados Unidos (mais de 2 milhões). Com quase 40 mil óbitos, o país também caminha para ultrapassar o Reino Unido e ter o segundo maior número de mortes, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

Nos últimos sete dias, o Brasil registrou 7.096 mortes por covid-19, o que configura em uma média de 1.013 por dia. Com isso, o país agora também concentra a maior média de óbitos diários no mundo, superando até mesmo EUA e Reino Unido. 

Fator decisivo na reabertura de fronteiras europeias, a taxa de contágio indica para quantas pessoas cada contaminado transmite o coronavírus, baseado na análise da progressão de novos casos. 

A taxa do Brasil chegou a 2,8 e continua a acima de 1. No entanto, com a subnotificação e baixa testagem, a propagação pode ser até maior. Para que o contagio seja considerado sob controle, é preciso estar abaixo, como em Alemanha (0,83) ou Portugal (0,79).

Em maio, os EUA anunciaram veto à entrada de pessoas vindas do Brasil por causa da pandemia. O presidente Donald Trump sinalizou com o crescimento acelerado da infecção no território brasileiro.

Exceções e circulação interna

Iniciado em março, o fechamento das fronteiras externas da zona Schengen seria encerrado no próximo dia 15, mas foi estendido até 30 de junho. O objetivo é ter mais tempo para estabelecer as novas regras de entrada e também liberar deslocamentos internos antes da reabertura para viajantes de fora do bloco.

Os países que integram a área de livre circulação europeia devem encerrar todos os controles nas fronteiras internas até 20 de junho, mas Comissão recomenda que a abertura seja feita já na próxima segunda (15). Alguns países tem anunciados datas e regras específicas, como testes e quarentena voluntaria para viajantes.

A autoridade europeia ainda sinalizou que pode haver exceções para viajantes países que ficarem de fora da lista de acesso. Quem tem familiares que residem na União Europeia ou na zona Schengen, estudantes internacionais ou trabalhadores considerados essenciais podem ter a entrada liberada.

Ricardo Ribeiro
Ricardo Ribeiro
Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.