Coronavírus: Bolsonaro apela para cubanos excluídos do Mais Médicos

Secretário-executivo do Ministério da Saúde afirmou em entrevista à GloboNews que o governo convocará a partir desta segunda-feira (16) “todos os médicos cubanos que estavam trabalhando no programa”

Bastou a pandemia do coronavírus chegar ao Brasil e ameaçar com colapsar o sistema público de saúde que tudo aquilo que Jair Bolsonaro sempre criticou do programa Mais Médicos e dos profissionais cubanos trazidos pelo governo de Dilma Rousseff virasse coisa do passado.

Em entrevista à GloboNews, na noite deste domingo (15), o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo, anunciou que o governo irá chamar de volta médicos cubanos que participaram do programa Mais Médicos, para ajudar a controlar o surto do vírus no país.

“Nós vamos chamar a partir de amanhã (esta segunda, 16 de março), todos os médicos cubanos que estavam trabalhando no programa (Mais Médicos) inicialmente”, garantiu o secretário.

Quando assumir o governo e Jair Bolsonaro priorizou sua ideologia e começou o desmonte do Mais Médicos com a dispensa dos profissionais cubanos que trabalhavam no país. Em agosto, ele chegou a dizer, a respeito do programa, que “o PT botou 10 mil fantasiados de médicos para fazer célula de guerrilha e doutrinação”.

Segundo Gabbardo, o governo também convocará estudantes de medicina do sexto ano de curso em diante, para que atuem na atenção básica.

O objetivos das medidas é fazer com que o sistema conte com mão de obra médica suficiente para enfrentar a carga de trabalho que o vírus demandará, considerando que as equipes médicas também sofrerão a contaminação, de acordo com o que se observa nos cenários de países onde o vírus de alastra mais rapidamente.

“Os médicos são muito atingidos com o coronavírus. Na Itália aconteceu isso: 40% da força de trabalho médica e de enfermagem, a gente perde no transcorrer da doença. Porque eles ficam doentes. Mesmo que os sintomas deles sejam leves, eles têm que ser isolados para não ficar transmitindo a doença para os seus pacientes”, explicou o secretário.

Gabbardo também explicou que o plano que o Ministério pretende colocar em prática a partir desta semana, prevê que esses “mais de cinco mil médicos” (cifra apontada por ele) serão colocados para trabalhar na atenção básica, em todas as regiões do país.

Resta saber como o presidente receberá de volta aqueles que, há sete meses atrás, ele chamava de “guerrilheiros que vieram fazer doutrinação”.

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