Fórum Educação
08 de abril de 2020, 11h30

Coronavírus: Equador prende, por “crime de ódio”, homem que denunciava crise no país

Um homem de 44 anos, da cidade de Guayaquil, fez dois vídeos criticando a postura do presidente Lenín Moreno e outras lideranças de direita do país

O equatoriano Wilmer Enrique (foto: Twitter)

A crise causada no Equador pela pandemia do coronavírus ganhou um novo elemento de terror na noite desta segunda-feira (6), quando Wilmer Enrique, de 44 anos, foi preso pela polícia de Guayaquil, acusado de cometer supostos “crimes de ódio”.

Quais foram os tais “crimes de ódio”? Segundo as autoridades, se trata de dois vídeos que o acusado divulgou em suas redes sociais, acusando o presidente Lenín Moreno, a prefeita de Guayaquil, Cynthia Viteri, e outras importantes figuras políticas de estarem “matando as pessoas no Equador”, devido ao que considera como “inaptidão para governar o país em uma situação como esta” (a pandemia do coronavírus).

“Eu gostaria de ter aquele maldito `patuleco´ (em referência a Moreno) na minha frente, e não me importo quantos anos de prisão eles vão me dar depois, mas eu os detesto malditos (…) por causa da falta de atitude e todos vocês, as pessoas estão morrendo”, diz Wilme Enrique.

Este é um dos dois vídeos de Wilmer Enrique pelo qual foi preso:

A Polícia Nacional do Equador informou que a prisão foi feita depois que dois vídeos do acusado viralizaram. Além das autoridades políticas, Wilmer também acusa os “banqueiros e a Polícia Nacional” de sustentar Lenín Moreno no poder, e critica a atitude dos que colocam a culpa desta e de outras crises no país nos ombros do ex-presidente Rafael Correa.

Alerta da CIDH

Além disso, o Equador também recebeu nesta terça-feira (7), uma queixa da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), através de um departamento chamado REDESCA (Relatoria Especial de Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais), que expressou sua “preocupação com ameaças de processos disciplinares contra de profissionais de saúde que denunciam a falta de suprimentos médicos” em meio à crise do coronavírus no país sul-americano.

Em sua mensagem, a CIDH reconhece “o esforço que o Equador está fazendo para conter o coronavírus, no entanto, recordamos que os profissionais de saúde devem ter todos os materiais e equipamentos necessários para sua proteção e para o trabalho que realizam”.

Dias atrás, um reportagem do canal russo RT, mostrou a denúncia de um profissional de saúde anônimo que relatou sobre a escassez de materiais e equipamentos nos centros hospitalares, o que deixa expostos os profissionais que atendem as pessoas infectadas pelo coronavírus.

“Nós encontramos escassez em todas as farmácias, públicas e privadas, encontramos hospitais onde não temos camas, encontramos hospitais onde não há ventiladores mecânicos, que são ferramentas importantes para salvar a vida da população. Muitas vezes precisamos esperar por um o paciente morre, para morrer, para poder usar a cama, usar o respirador em outra pessoa”, disse a fonte anônima.


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