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25 de março de 2020, 22h40

Coronavírus: estadunidense morre após tomar substância promovida por Trump e Bolsonaro

Durante coletiva, o Ministro da Saúde disse que quem adquiriu o medicamento sem prescrição deve devolver ou doar a um hospital, pois há riscos cardíacos no uso sem supervisão

Imagem: reprodução

As autoridades de saúde já avisaram que as pessoas não devem se automedicar com cloroquina, substância usada para tratar malária, lúpus e artrite reumatóide e que não há nenhuma droga aprovada para tratar ou prevenir covid-19. Nesta quarta (25), durante coletiva, o Ministro da Saúde disse que quem adquiriu o medicamento sem prescrição deve devolver ou doar a um hospital, pois há riscos cardíacos no uso sem supervisão.

O efeito da divulgação irresponsável de medicamentos pode ser catastrófico: um homem nos EUA morreu e sua mulher está em estado grave após ambos tomarem fosfato de cloroquina em uma tentativa de evitar o novo coronavírus, já que Donald Trump promoveu a cloroquina como um possível tratamento para o vírus de forma tão irresponsável quanto Bolsonaro.

O remédio é aprovado pelo FDA, a ANVISA americana, para tratar malária, lúpus e artrite reumatóide, e ainda está sendo testado para combater o coronavírus. As pesquisas sobre sua eficácia e segurança contra o novo coronavírus estão em curso e não são conclusivas. E a cloroquina tomada pelo casal não era medicamento, mas fazia parte de uma substância usada para limpar tanques de peixes. O casal tinha mais de 60 anos. A mulher disse à rede de televisão NBC News que ela tinha assistido ao pronunciamento de Trump falando sobre os potenciais benefícios da cloroquina contra o vírus. “Nós vimos a coletiva de imprensa. Passou bastante na TV. Trump ficava dizendo que era uma cura e nós tínhamos medo de ficar doentes”, disse ela.

Há cerca de 46 mil casos confirmados do novo coronavírus nos EUA e 592 mortes.

O hospital não conseguiu salvar o homem e a mulher continua em estado grave. “Nossos especialistas enfatizam que a cloroquina não deve ser tomada para combater ou prevenir a covid-19”, diz o grupo de saúde Banner Health, do hospital onde foram internados, em nota. “Dadas as incertezas sobre a covid-19, nós entendemos que as pessoas estão tentando encontrar novas formas de se prevenir, mas se automedicar não é o jeito certo.” Na última semana, Trump, assim como Bolsonaro, promoveu o remédio usando se Twitter, dizendo que “tinha chance real de ser um dos maiores avanços na história da medicina” quando tomado em conjunto com o antibiótico azitromicina. “Nós vamos conseguir tornar o remédio disponível quase imediatamente”, disse ele em pronunciamento. “O FDA foi ótimo, eles já aprovaram”, afirmou, sem mencionar que o medicamento já era aprovado antes da pandemia por outro motivo.


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