O que o brasileiro pensa?
24 de março de 2020, 12h29

De Madrid, onde vivemos uma situação drástica, torcemos pelo resto da Espanha, por Daniela Nahass

Madri tenta se preparar para o aumento de falecimentos e evitar o colapso nas funerárias e cemitérios. Um necrotério foi improvisado no Palacio de Hielo, um shopping que tem pista de patinação de gelo com 1800 m2

Palacio de Cibeles, em Madri, com mensagem sobre o coronavírus

Por Daniela Nahass*

Madri está vivendo sua pior semana, que apenas começou. Em um
pronunciamento na televisão no último sábado (21), o presidente Pedro Sanchez alertou que o pior estava por vir, mas é impossível se preparar para a situação que estamos vivendo. Além do estresse do confinamento, a cada dia o cenário piora e sabemos que a pior onda do vírus na região ainda está por chegar.

Nas últimas 24 horas, foram 514 mortos na Espanha sendo que quase metade na capital espanhola. O país inteiro tem 2.700 mortos por coronavírus, sendo 1.535 em Madri. O número de contagiados em toda
Espanha está perto de 40 mil pessoas , um aumento de 20% na últimas 24
horas.

Madri tenta se preparar para o aumento de falecimentos e evitar o colapso nas funerárias e cemitérios. Ontem, um necrotério foi improvisado no Palacio de Hielo, um shopping center que tem uma pista de patinação de gelo com 1800 m2. Um hospital de campanha foi montado na Feria e Madrid, um grande centro de convenções que agora está ocupado com camas para receber pacientes com sintomas leves de Covid-19 e também outras doenças.

O controle do movimento das pessoas será intensificado na cidade. O Estado
de Alarme decretado no dia 14 de março permitia a saída de casa para
comprar alimentos, passear com cachorro e trabalhar em alguns casos.

A partir de amanhã a pessoa que estiver na rua terá que mostrar um certificado provando que é preciso ir ao trabalho presencial. O prefeito da cidade, José Luis Martínez-Almeida, afirmou que a polícia vai multar os motoristas e pedestres que não apresentarem esse documento.

As Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) estão lotadas em Madri. Em todo o país são 2.600 pacientes internados e os médicos começam a ter que
decidir quem vai receber tratamento ou não.

“É a guerra da nossa geração”, definiu a anestesista Célia González, do Hospital de Cruces de Bilbao, em entrevista ao jornal El País.

Para piorar, 12% dos trabalhadores da saúde foram contagiados pelo Covid-19. O número de trabalhadores da saúde, que já era reduzido, fica a cada dia menor.

Ao contrário do que aconteceu na Itália, onde os contágios ficaram restritos a uma três regiões, na Espanha o vírus se espalhou por várias comunidades.

Logo depois que o Estado de Alarme foi decretado, muitos espanhóis foram para as casas na praia, montanha e também para os pueblos, cidades pequenas do interior onde vivem muitos idosos. Uma atitude irresponsável que pode agravar a evolução da pandemia no país.

O cenário é observado de perto pelas autoridades sanitárias que consideram que ainda é cedo para avaliar o quadro, que não deixa de ser preocupante.

De Madri, onde vivemos uma situação drástica por causa do coronavírus, torcemos para que a situação não se repita no resto da Espanha. É o que nos resta. Se isolar e esperar que a situação não se agrave.

*Daniela Nahass, jornalista e doutoranda, atualmente morando em Madri


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