“Devemos abrir o comércio”, diz Bolsonaro no Twitter ao compartilhar “nova estratégia” de Trump

Áudio apócrifo compartilhado por Bolsonaro diz que Trump vai tratar pacientes do coronavírus com cloroquina e reabrir todo o comércio nos EUA. "Mídia vai filtrar isso", diz a voz, não identificada

O presidente Jair Bolsonaro foi às redes sociais nesta quarta-feira (25) para insistir mais uma vez no fim do isolamento durante a pandemia do coronavírus como forma de “salvar” a economia. Presidente compartilhou um áudio sobre estratégias de Donald Trump contra a doença e pediu a abertura do comércio para “preservar a saúde dos idosos e portadores de comorbidades”.

“38 milhões de autônomos já foram atingidos. Se as empresas não produzirem não pagarão salários. Se a economia colapsar os servidores também não receberão. Devemos abrir o comércio e tudo fazer para preservar a saúde dos idosos e portadores de comorbidades”, escreveu Bolsonaro.

O áudio compartilhado por Bolsonaro traz comentários de um homem, que não foi identificado, sobre as estratégias do presidente norte-americano Donald Trump contra a doença. O áudio diz que, em breve, Trump vai “abrir o país” e mandar “todo mundo voltar” ao trabalho.

O homem também comenta que Trump fez uma coordenação com as empresas farmacêuticas Bayer e Pfizer, também com o governo brasileiro, para uso da cloroquina – remédio originalmente utilizado contra a malária – no tratamento do coronavírus. O homem diz que Trump vai utilizar este medicamento em doentes dos EUA.

“Não sei se essa é a ação correta, talvez tenha efeitos colaterais, mas a gente não pode ficar sem fazer nada”, diz o homem, repercutindo o que diz ser um discurso de Trump. “O governo vai realmente mudar toda a linha de ação de combate a essa pandemia (…) A mídia vai filtrar isso”, continuou.

A nova declaração de Bolsonaro no Twitter é a primeira após seu discurso desastroso em rede nacional na noite desta terça-feira (24). O presidente brasileiro voltou a minimizar o surto do novo coronavírus, atacando os meios de comunicação e governadores e repetindo que há uma “histeria” em torno de uma “gripezinha”.

Durante o discurso, Bolsonaro insistiu que se voltasse à normalidade do país. “Nossa vida tem que continuar. Os empregos devem ser mantidos. Devemos sim voltar à normalidade. Algumas autoridades devem abandonar medidas de isolamento”, afirmou, atacando governadores e negando orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O pronunciamento de Jair Bolsonaro foi pensado, estruturado e escrito pelo filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC) e seus comandados do chamado “gabinete do ódio”, núcleo de mídias digitais que atua sob seu comando no Palácio do Planalto.

O objetivo é resgatar o ativismo nas redes de apoiadores da milícia virtual bolsonarista, formado principalmente por perfis e grupos de ultra-direita, que estaria se desmobilizando e defendendo menos o presidente dos chamados “ataques da esquerda”, segundo levantamento do próprio gabinete do ódio.

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Luisa Fragão

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