Fórum Educação
16 de março de 2020, 09h31

Eduardo Bolsonaro diz que prisões em ato de Pernambuco são “revolta seletiva” contra coronavírus

Deputado comparou a aglomeração dos atos a jogos de futebol, sem considerar que muitos foram cancelados ou realizados sem público para conter o avanço da doença

Eduardo Bolsonaro - Foto: Reprodução

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi às redes sociais na noite deste domingo (15) para criticar o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), que ordenou a Polícia Civil do estado a prender manifestantes em Recife alegando atentado à saúde pública. Para o deputado, medida é “revolta seletiva” do governador contra o coronavírus.

Segundo a polícia do estado, os líderes do movimento foram detidos por violar o decreto do governador que proíbe a realização de atos com público maior que 500 pessoas, por conta da doença.

Para justificar seu ataque a Câmara, Eduardo comparou a aglomeração dos atos a jogos de futebol. Contudo, muitos deles já estão sendo cancelados ou feitos sem torcida, justamente para evitar a propagação do vírus.

A própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou no domingo que suspendeu as competições nacionais a partir desta segunda-feira (16) por conta do avanço do coronavírus.

“Prender um cara porque estava segurando uma plaquinha? Já sei que vão falar do coronavírus. Mas o corona só se pega em manifestação ou em estádio e ônibus tb? Revolta seletiva do governador? É o Estado acima das liberdades. Se isso não é fascismo eu não sei o que é…”, escreveu o filho do presidente.

Paulo Câmara também foi criticado pelo vereador Carlos Bolsonaro, que chamou a preocupação com o avanço do coronavírus de “narrativa oportunista”.

“Esperavam o que de quem admira ‘liberais’ como Barack Obama? Se prender manifestante com prudência e sofisticação parece que tá tudo bem…”, escreveu o filho do presidente sobre o governador de Pernambuco.

“Eles pensam que ainda fazem a população de otária com essas narrativas oportunistas que têm como único objetivo causar pânico e calar a voz do povo”, continuou.

O mesmo argumento foi utilizado por Jair Bolsonaro em entrevista ao vivo à CNN Brasil após os atos do domingo. Bolsonaro disse que há interesse financeiro no que chama de “histeria” do coronavírus e também comparou sua ida às ruas para cumprimentar manifestantes aos metrôs e estádios cheios.

“Sabemos que as aglomerações de pessoas correm o risco de ser risco desse vírus se deflagar de forma grave no nosso país. Agora, é uma realidade. Você vê os metrôs cheios, os ônibus cheios (…) estádio de futebol. É um vírus que você vai ter que enfrentar mais cedo ou mais tarde”, disse.


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