Equipes que fazem testes para pesquisa nacional sobre coronavírus são presas e agredidas

Em várias cidades o material de testes foi destruído e as equipes do estudo tiveram de abandonar o local e desistir da pesquisa

Equipes da primeira pesquisa sobre a pandemia de coronavírus estão sendo impedidas de trabalhar por governos municipais, agredidas nas ruas e até presas.

O objetivo do estudo é testar amostra de 33.250 pessoas em 133 cidades, em todos os estados para estimar quantos brasileiros já foram infectados pelo novo coronavírus, de modo a auxiliar o planejamento do combate à doença e o seu estudo científico.

Conforme relatos, em Santarém (PA) a polícia não só levou a equipe da pesquisa para a delegacia como apreendeu os testes de coronavírus. A Secretaria de Segurança Pública do Pará negou prisão ou apreensão.

Ainda de acordo com os coordenadores do trabalho da Universidade Federal de Pelotas e com o Ibope, que faz o trabalho de campo, houve detenções em São Mateus (ES), Imperatriz (MA), Picos (PI), Patos (PB), Natal (RN), Crateús e Serra Talhada (PE), Rio Verde (GO), Cachoeiro do Itapemirim (ES), Caçador (SC) e Barra do Garças (MT).

Em várias cidades o material de testes foi destruído e as equipes do estudo tiveram de abandonar o local e desistir da pesquisa. As equipes são detidas para prestar esclarecimentos e barradas por prefeituras que pedem uma autorização para o trabalho e, finalmente, são atacadas nas ruas porque estariam violando quarentena. Há também boatos de que os pesquisadores seriam golpistas ou uma ameaça à saúde, segundo relatos dos coordenadores e executores da pesquisa.

Segundo o Ibope e também segundo os pesquisadores da Ufpel, eles devem ter perdido uns 800 testes, apreendidos, abertos, detonados

A pesquisa é financiada pelo Ministério da Saúde e foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.

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Renato Rovai
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