Fiocruz: “Rejuvenescimento da pandemia é evidente”

Boletim divulgado neste sábado mostra expressivo aumento proporcional de mortes entre 20 e 59 anos

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou neste sábado (10) um novo boletim do Observatório que monitora a situação da pandemia do coronavírus no Brasil. O levantamento destaca que a Covid-19 atinge cada vez mais jovens e que as regiões Sul e Centro-Oeste enfrentarão uma situação crítica nas próximas semanas.

“Cabe o alerta de que o rejuvenescimento é evidente e vem ocorrendo de forma persistente ao longo das semanas. A distribuição demográfica no Brasil tem dado à pandemia um padrão distinto daquele observado na Europa”, diz trecho do relatório. Segundo o estudo, as faixas que mantiveram crescimento superior à média entre as semanas 1 e 12 de 2021, foram 20 a 29 anos (872,73%), 30 a 39 anos (813,95%), 40 a 49 anos (880,72%), 50 a 59 anos (877,46%) e 60 a 69 anos (566,46%).

“A distribuição demográfica no Brasil tem dado à pandemia um padrão distinto daquele observado na Europa. Isto
significa dizer que, em que pese a importância de orientar as ações de mitigação com base nos exemplos internacionais, é preciso reconhecer as especificidades do país na adoção de medidas restritivas. Esta mudança no perfil dos casos e óbitos contribui para o aumento da pressão sobre o sistema de saúde, potencialmente prolongando o tempo médio de internação. Além disso, já que se trata de população com maior circulação devido às atividades de trabalho, é importante considerar o potencial de transmissibilidade aumentado devido a este rejuvenescimento. Portanto, este fenômeno requer atenção dos gestores para uma intensificação da adoção das medidas de mitigação, como as de distanciamento físico e social”, afirma a Fiocruz.

Esse alerta também foi feito pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, que destacou que, pela primeira vez desde o início da pandemia, a maioria dos internados em UTI com Covid são jovens, até 40 anos.

Estados

As maiores taxas de incidência de Covid-19 foram registradas em Rondônia, Amapá, Tocantins, Espírito Santo, Santa
Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal. Taxas de mortalidade elevadas foram verificadas em Rondônia, Tocantins, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal.

Segundo o boletim, “esse padrão coloca as regiões Sul e Centro-Oeste como críticas para as próximas semanas, o que pode ser agravado pela saturação do sistema de saúde nesses estados”.

Lockdown

O boletim volta a defender medidas de isolamento rígido e aponta que ainda não é possível monitorar os resultados as medidas restritivas adotadas em algumas cidades ou estados. “Embora haja grande expectativa em relação à indicação do sucesso ou não de medidas restritivas de circulação de pessoas que vêm sendo adotadas em diferentes partes do país, as taxas de ocupação de leitos de UTI são menos sensíveis no prazo mais imediato. Espera-se, entretanto, que elas possam ser reduzidas após cerca de 3 a 4 semanas de adoção consistente e satisfatória dessas medidas”, afirma.

“No momento, ainda não se pode negligenciar a gravidade do quadro de saturação do sistema de saúde para
resposta à elevadíssima demanda colocada pelo número excessivo de casos de Covid-19 em praticamente todo o país. Persistem filas para acesso a leitos de enfermaria, e especialmente de UTI, redução significativa de atendimentos para outros problemas de saúde, indícios de esgotamento de insumos e medicamentos fundamentais para pacientes com Covid-19 e com outras condições e o esgotamento dos profissionais de saúde”, diz ainda.

Confira aqui o boletim na íntegra

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Lucas Rocha

Lucas Rocha é formado em jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ e cursa mestrado em Políticas Públicas na FLACSO Brasil. Carioca, apaixonado por carnaval e latino-americanista convicto, é repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Revista Fórum e apresentador do programa Fórum América Latina