O que o brasileiro pensa?
01 de abril de 2020, 09h36

Idosos, evangélicos e ricos são os que mais acreditam nas mentiras de Bolsonaro sobre coronavírus, diz pesquisa

“A estratégia de comunicação de Bolsonaro é eficiente na mobilização de seu eleitorado. A mensagem de que a imprensa estaria exagerando na cobertura da crise do coronavírus se dissemina entre os grupos de apoio do presidente”, afirma o jornalista Bruno Carazza

Jair Bolsonaro ( Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Pesquisa Quaest, divulgada pelo Colunista no Valor Econômico e professor universitário, Bruno Carazza, em sua conta do Twitter, nesta quarta-feira (1), revela que Idosos, evangélicos e ricos são os que mais acreditam nas mentiras de Bolsonaro sobre coronavírus.

De acordo com os dados do levantamento, o jornalista afirma que “a estratégia de comunicação de Bolsonaro é eficiente na mobilização de seu eleitorado. A mensagem de que a imprensa estaria exagerando na cobertura da crise do coronavírus se dissemina entre os grupos de apoio do presidente”.

Para o jornalista, “o sentimento de que a imprensa estaria exagerando é significativamente mais alto entre os eleitores que aprovam a administração de Bolsonaro”.

“Esse comportamento também se reflete entre os eleitores que se declaram de direita (34% deles duvidam da imprensa na cobertura da pandemia)”, afirma.

Ele a diz ainda que “30% dos mais velhos (justamente o maior grupo de risco da pandemia) não acreditam na gravidade da situação, tal qual retratada pelos veículos de notícia”

“Também os mais ricos (27%) duvidam dos efeitos da covid-19 alardeados pela imprensa, o que pode estar relacionado com os clamores pela flexibilização da política de isolamento social

Outro grupo de suporte de Bolsonaro, os evangélicos, também desconfiam que a imprensa exagera na cobertura (28%).

Quando perguntados sobre como Bolsonaro está lidando com a crise, esses mesmos grupos (de direita, evangélicos, mais velhos e mais ricos) são os segmentos que avaliam melhor a conduta do presidente.

Entre os de direita, 65% aprovam a conduta de Bolsonaro.

Só 23% dos evangélicos consideram que Bolsonaro está agindo “muito mal”, contra 34% dos católicos e 36% de outras religiões.

A aprovação da conduta de Bolsonaro na crise da covid-19 aumenta (e a rejeição cai) à medida em que a idade do entrevistado aumenta, chegando a 53% de aprovação entre os maiores de 60 anos.

Por fim, entre os mais ricos, há um empate: 49% consideram que Bolsonaro tem atuado bem/muito bem, contra 48% dos que julgam que sua conduta vai mal/muito mal. De qualquer forma, o desempenho do presidente entre aqueles que ganham mais de 5 salários mínimos é muito superior aos grupos de menor renda.

Em resumo, a estratégia de comunicação nas redes sociais continua a ecoar nos grupos que foram os principais responsáveis pela eleição de Bolsonaro: evangélicos, mais ricos, mais velhos e com perfil de direita. Isso explica muito dos pronunciamentos recentes do presidente.

A pesquisa foi realizada por questionário digital, com 1.000 respondentes de 114 municípios de 26 Estados e DF, entre 19 e 23/03, estratificados de acordo com o perfil geral da população brasileira. A margem de erro é de 3,1%”, encerra.


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