Indígena Xavante de 102 anos sobrevive após ser internado por coronavírus

Tobias Tserenhimi’rãmi passou 15 dias e internado em hospital, e se recupera bem na aldeia; comunidade Xavante tem ao menos 313 contaminados e 30 indígenas já morreram em decorrência da Covid-19

Tobias Tserenhimi’rãmi, de 102 anos, sobreviveu à Covid-19 após 15 dias internado em Barra do Garças, a 516 km de Cuiabá. Tobias é da etnia Xavante, e outros familiares e membros da aldeia já foram diagnosticados com a doença.

Ao G1, o filho de Tobias, Xisto Tserenhi’ru, de 50 anos, afirmou que ele e a mulher foram os primeiros a sentir os sintomas da Covid-19. O coronavírus chegou na aldeia entre maio e junho, e após a infecção de outras pessoas da família, o grupo buscou atendimento no posto de saúde local.

Segundo Xisto, muitos membros da aldeia estavam transitando normalmente pela cidade para realizar as atividades diárias. “Demoramos a perceber que era tão perigoso e fatal, mas os Xavantes são guerreiros e não se entregam”, disse.

Após buscar atendimento médico, a família também buscou raízes nativas para lidar com a doença. “Passamos a tomar os chás e os medicamentos juntos. Logo depois, melhoramos”, afirmou Xisto.

Devido à idade e outros problemas, Tobias precisou ser internado. “Ele foi para tratar a perna dele que estava inchada, porque ele tem trombose. O médico pediu exames e aí ele foi diagnosticado com o vírus e o isolaram”, contou Xisto. Segundo ele, o pai estava bastante fragilizado quando voltou, mas está bem após ser alimentado com comidas naturais.

A comunidade Xavante, que tem cerca de 22 mil indígenas, tem ao menos 313 contaminados pelo novo coronavírus e 30 mortos em decorrência da Covid-19, segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). “Essa pandemia nos assustou muito, mas estamos vencendo”, disse Xisto.

Avatar de Gabriella Sales

Gabriella Sales

Estudante de Jornalismo na ECA-USP e estagiária da Fórum.

Você pode estar junto nesta luta

Fórum é um dos meios de comunicação mais importantes da história da mídia alternativa brasileira e latino-americana. Fazemos jornalismo há 20 anos com compromisso social. Nascemos no Fórum Social Mundial de 2001. Somos parte da resistência contra o neoliberalismo. Você pode fazer parte desta história apoiando nosso jornalismo.

APOIAR