Jornal Nacional faz edição de 1h30, quase toda contra Bolsonaro

Telejornal da Globo dedicou praticamente toda sua edição desta quarta-feira para convencer a população de que Bolsonaro está errado na forma como lida com a pandemia

Enquanto a população batia panelas contra Jair Bolsonaro e Lula fazia uma live sugerindo impeachment ou afastamento do presidente, o Jornal Nacional, da Globo, dedicava praticamente toda sua edição desta quarta-feira (25) para refutar a declaração do capitão da reserva defendendo o fim do isolamento social. A edição teve, ao todo, 1 hora e 30 minutos de duração – muito maior que as edições padrão, que não costumam a passar de uma hora.

Praticamente todo o segundo bloco do telejornal foi usado para convencer a população de que Bolsonaro está errado ao defender que as pessoas voltem às ruas e o comércio reabra – orientação que vai contra todas as recomendações de especialistas do Brasil e do mundo para frear a pandemia do novo coronavírus.

Para isso, o JN repercutiu a reação de governadores criticando Bolsonaro, além de entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e personalidades políticas, como Fernando Henrique Cardoso.

Na sequência, o telejornal exibiu entrevistas com inúmeros especialistas, todos eles refutando a fala de Bolsonaro feita em cadeia nacional. Eles pediram para que as pessoas façam exatamente o contrário do solicitado pelo presidente: isto é, para que mantenham o isolamento ficando em casa, pois essa, segundo eles, é a maneira mais efetiva de achatar a curva de disseminação do novo coronavírus. Entre os especialistas que falaram ao jornal estão Clóvis Arns da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia; o infectologista Marco Aurélio Safadi; Alexandre Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia; Álvaro Furtado, infectologista do Hospital das Clínicas, em São Paulo; e Marcos Machado, do Conselho Regional de Farmácia.

Além das entrevistas, o JN repercutiu com destaque as reações de entidades como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que classificou Bolsonaro como um “inimigo da saúde do povo”.

“A atitude de Bolsonaro se opõe frontalmente à posição de especialistas do próprio Ministério da Saúde dele”, destacou o âncora William Bonner.

Na sequência, o jornalístico passou a falar de economia, também entrevistando especialistas, mas reforçando que a crise econômica não deve ser colocada acima das recomendações de combate ao vírus.

O JN também refutou a tese de Bolsonaro de que ele não seria acometido pelo coronavírus pois tem histórico de “ex-atleta”. “Mas atletas tem um recado para a população”, disse o âncora William Bonner antes de exibir uma reportagem sobre esportistas que foram infectados e que sofreram com os sintomas do coronavírus.

Como exemplo, o jornal citou o caso do ex-nadador sul-afriano Cameron van der Burgh, que foi infectado, e deu destaque à fala do atleta de que esse foi o pior vírus que ele enfrentou. “Apesar de ser jovem e saudável”, enfatizou a repórter.

“Não adianta dizer que foi atleta. Isso não é uma poupança que você guarda. O que vale é sua imunidade de hoje”, disse um médico do esporte entrevistado pelo telejornal.

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Renato Rovai
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