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19 de maio de 2020, 08h50

Maior parte das vítimas fatais de coronavírus são negros e pardos

"A porcentagem de óbitos é maior na periferia. Isso mostra que as pessoas com menos recursos econômicos têm maior dificuldade de chegar à assistência", diz o infectologista Marcos Boulos

Reprodução/Sindsep

Negros e pardos são a maioria das pessoas mortas por coronavírus no Brasil. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado na última segunda (18) pelo Ministério da Saúde, 54,8% das mortes registradas são de pessoas negras e pardas. No total, o país já soma mais de 250 mil casos da doença e 16.792 óbitos registrados.

As pessoas brancas ainda são maioria entre os pacientes hospitalizados com Síndrome Respiratória Aguda Grave (51,4%, mas minoria entre os mortos (43,1%). Entre as pessoas pardas há uma grande diferença na proporção de internados e mortos: elas são 38,7% nos hospitais, mas 47,3% dos que morrem.

Já os negros são 7% dos internados e 7,5% entre os mortos; indígenas, 0,3% e 0,5%; e amarelos tem a mesma proporção (1,7%).

“Isso já era conhecido e até esperado. Negros e pardos em grande medida pertencem às classes econômicas mais baixas e são quem tem menos assistência médica. As condições econômicas piores significam assistência médica pior, o que resulta em condições piores de atendimento”, disse ao UOL o infectologista Marcos Boulos, da Superintendência de Controle de Endemias de São Paulo (Sucen-SP).

São Paulo, por exemplo, já divulgava há um mês um mapeamento por bairros que já deixava clara a aceleração da doença nas periferias.

“A porcentagem de óbitos é maior na periferia. Isso mostra que as pessoas com menos recursos econômicos têm maior dificuldade de chegar à assistência para ser tratado melhor. Os hospitais de periferia têm menos condições do que no centro, inclusive falta hospitais”, aponta o infectologista Marcos Boulos.

Segundo o boletim do Ministério da Saúde, 69% das vítimas fatais de têm mais de 60 anos. Mais de 3 mil pessoas tinham entre 40 e 59 anos, e 846 tinham 39 anos ou menos, incluindo 25 bebês de até um ano. Ainda há 2.277 óbitos em investigação.


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