Fórum Educação
28 de março de 2020, 17h36

Mandetta fala em flexibilizar isolamento: “Não existe uma ilha chamada saúde, a economia é sim importante”

Ministro disse que "tem certeza" de que vírus vai causar muitas perdas no país, mas que "todo dia nasce gente, graças a Deus"

Jair Bolsonaro e Luiz Henrique Mandetta - Foto: Carolina Antunes/PR

Em coletiva de imprensa realizada de forma virtual neste sábado (28), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a pasta já considera flexibilizar o isolamento social no país como forma de garantir a movimentação da economia neste período. Mandetta afirmou que o “lock down” é uma “tragédia” e que está discutindo a questão com secretários municipais e estaduais de saúde para anunciar uma decisão.

“Não existe quarentena horizontal, não existe vertical, não existe nada. Existe necessidade de arbitrar num determinado tempo qual o grau de retenção que uma sociedade deve fazer. O ‘lock down’, que é parada absoluta total, ela pode vir a ser necessária, em algum momento, em alguma cidade. O que não existe é um ‘lock down’, um fechamento de todo o território nacional, ao mesmo desarticulado. Isso é um desastre que vai causar muito problema para nós da saúde”, disse o ministro.

“Não existe uma ilha chamada ‘saúde’. A economia é sim muito importante para a saúde. Nós colocamos em discussão o que liberar, o que fazer para as pessoas terem mobilidade, porque a última vez que foi usada quarentena no Brasil foi em 1917, na gripe espanhola”, continuou.

Em seguida, o ministro criticou aqueles que adotam os protocolos da Organização Mundial da Saúde (OMS) sem antes “elaborar” as medidas. A OMS é uma das entidades do setor que tem defendido que as pessoas permaneçam em casa como forma de combater o avanço da doença.

“Ninguém tem esse parâmetro. Não é uma questão de apontar o dedo para o governador A, B ou C. Estão todos com a arma na mão falando que a Organização Mundial da Saúde falou e vai lá e faz, não pensando muitas vezes que isso é uma medida que tem que ser muito bem elaborada”, disse.

Como argumento, o ministro disse que critérios no isolamento são importantes para garantir o abastecimento de supermercados. “Tem que garantir alimentos nas comunidades, a pessoa não consegue ficar dentro de casa, a geladeira fica vazia, o estômago fica vazio. Se a gente não tiver uma logística, como vamos chegar com o alimento no supermercado? Vamos colocar sim alguns critérios, mas não vai ser o plano do ministro Mandetta”, afirmou.

Em seguida, Mandetta disse que a pasta ainda não sabe qual será o impacto do novo vírus no país e que “tem certeza” de que serão muitas perdas, mas que este é o “ciclo da vida” e que todo dia “nasce gente”.

“Estamos discutindo com secretários municipais e estaduais essa semana para construir um consenso. Onde a gente ver que tá perdendo a guerra, a gente vai lá e aperta. Vamos ter dias bons e dias ruins. No indivíduo eu sei que vamos passar com muitas perdas. Mas todo dia nasce gente, graças a Deus, é o ciclo da vida”, afirmou.

Casos no Brasil

O Ministério da Saúde anunciou neste sábado que já são 3.904 infectados pela doença no Brasil e 111 mortos. Foram 487 novos casos nas últimas 24 horas.

Ainda de acordo com o levantamento da pasta, a taxa de letalidade do país é de 2,8% e maioria dos infectados são homens (61%). Além disso, 90% dos casos corresponde a pessoas acima de 60 anos, sendo que 84% apresentou pelo menos um fator de risco.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum