Minas Gerais registra variante do coronavírus até então inédita no Brasil

Nova linhagem teria origem nos Estados Unidos e foi identificada em paciente de Sabará (MG) que foi infectado duas vezes; cepa é diferente das variantes de Manaus, Reino Unido e África do Sul

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais confirmou nesta terça-feira (2) o primeiro caso de reinfecção do coronavírus no estado. Trata-se de um médico de 29 anos de Sabará que teve diagnóstico positivo de covid-19 em maio de 2020 e, depois, em janeiro de 2021. 

Além de se tratar da primeira reinfecção em MG, estudos laboratoriais feitos pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) constataram, na segunda-feira (1), que ela foi provocada por uma variante do coronavírus até então inédita no Brasil: a B.1.2, que começou a circular nos Estados Unidos em outubro do ano passado.

Trata-se de uma cepa diferente das variantes de Manaus, Reino Unido e África do Sul, que já estão circulando no país.

“A primeira infecção foi causada pela linhagem viral B.1.1.28, que circula no Brasil desde março de 2020, e a segunda pela B.1.2, linhagem americana que circula nos Estados Unidos mais intensamente desde outubro. Até então, esta linhagem não havia sido detectada no Brasil, de acordo com os principais bancos de dados globais de linhagens Sars-CoV-2”, diz texto da UFOP sobre a descoberta.

De acordo com o pesquisador Alexandre Reis, do Laboratório de Imunopatologia da UFOP, não é possível afirmar que a simples exposição a uma nova linhagem viral tenha sido o único fator responsável pela reinfecção. “O fato de os níveis de anticorpos do paciente terem negativado, assim como outros fatores ainda não bem elucidados, devem também ter contribuído para o quadro”, afirma.

Fernando Henrique de Assis, o paciente em que foi constatada a nova variante, não precisou de internação em nenhuma das duas infecções.

“Foi um susto para mim. Não acreditava. Minhas amostras foram colhidas num hospital de BH e enviadas à Funed. Ontem recebi o resultado apontando a reinfecção. Foram duas cepas diferentes, a primeira brasileira e a segunda que tem maior circulação nos Estados Unidos”, disse o profissional de saúde ao portal G1.

“Estou bem, estou recuperado, não tive sequelas. Já tem quase dois meses que tive o primeiro sintoma. Agora já voltei à minha rotina normal”, completou.

Em nota após a confirmação do caso de reinfecção com nova variante, a secretaria de Estado de Saúde de MG reforçou a necessidade de se seguir protocolos sanitários contra o contágio do vírus. “A Secretaria de Estado de Saúde reforça à população a importância da manutenção de todos os cuidados para evitar a transmissão do coronavírus, como uso de máscara, distanciamento social e higienização frequente das mãos”, escreveu a pasta.

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Ivan Longo

Jornalista, editor de Política, desde 2014 na revista Fórum. Formado pela Faculdade Cásper Líbero (SP). Twitter @ivanlongo_

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