Fórum Educação
31 de março de 2020, 12h02

“Não bastasse a pandemia, temos o pandemônio”, diz Haddad sobre Bolsonaro

Para o ex-prefeito de São Paulo, Bolsonaro está se isolando no governo e pode pensar em saídas autoritárias para a crise

Foto: Lula Marques

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta terça-feira (31), o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro com relação à pandemia do coronavírus. Para o petista, ao defender o fim do isolamento social, quem está ficando isolado é o próprio presidente.

“Nós temos vários problemas sobrepostos. Não bastasse a pandemia, temos o pandemônio, que é a maneira como Bolsonaro está governando o país”, disse o ex-prefeito. “Hoje mesmo, ele perguntou o porquê jornalistas estão trabalhando. É a mesma coisa perguntar o porquê médico e enfermeiro estão trabalhando”.

Haddad também comentou sobre o auto-isolamento que Bolsonaro tem praticado ao defender políticas que contrariam os protocolos das autoridades de saúde. O ex-prefeito também alertou para o perigo que é uma pessoa como Bolsonaro estar isolada no governo.

“Quem está ficando isolado é ele próprio, do ponto de vista político. O que é muito perigoso, porque uma pessoa com as características de Bolsonaro isolada, é uma pessoa que pode pensar saídas autoritárias para a crise que a gente tá vivendo”, disse.

“Até porque existe um grupo das Forças Armadas comemorando a ditadura. Pouca gente tem idade para saber o que aconteceu em 64, mas estão querendo reescrever a história, falando que a ditadura salvou a democracia. Uma ditadura que durou 21 anos não salvou nada”, continuou.

Haddad também comentou sobre o falso argumento do presidente de que estaria preocupado com o desemprego durante a crise. “Bolsonaro não está preocupado com empregos, porque se ele estivesse realmente preocupado, não teria permitido que empregadores cortassem por quatro meses o salários dos funcionários, não teria proposto R$ 200 de ajuda para a crise. Quem reverteu essas medidas foi a oposição”, conta.

Como solução para a crise, Haddad defende uma articulação dos governadores e de representantes dos outros poderes. O petista também elogiou o presidente argentino Alberto Fernández, que autorizou a ampliação do isolamento social no país para mais duas semanas.

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