Oxigênio enviado a Manaus não é suficiente, diz presidente do Sindicato dos Médicos: “Três minutos e os pacientes morrem”

Mario Vianna diz não ter perspectivas de que o problema será resolvido no prazo necessário. "É para ontem", afirma

O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mario Vianna, afirmou em entrevista ao Fórum Café nesta sexta-feira (15) que a carga de 386 cilindros de oxigênio transportada a Manaus em dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) “não é suficiente”.

O profissional explica que poucos minutos sem oxigênio podem ser fatais para pacientes hospitalizados com Covid-19. A demanda, portanto, é alta.

“Essa chegada já é uma segunda ou terceira leva, mas não é suficiente. A primeira que a FAB trouxe durou menos de um dia. Ontem, houve várias mortes por falta de oxigênio. A situação é muito urgente, uma pessoa hospitalizada que precisa de oxigênio em fluxo de 100%, três minutos sem oxigênio já é fatal. Pode ter uma lesão cerebral e morte”, afirma Vianna.

“Nós não temos perspectivas de solução total do problema no prazo necessário, porque o prazo é para ontem”, completou.

O médico também contestou a informação do ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), que disse que ao menos 28 pacientes morreram por falta de oxigênio no Pronto-Socorro 28 de Agosto, na capital amazonense, nesta quinta-feira (14). “Já me falaram até em 40”, lamentou o profissional.

“Eu realmente não tenho certeza que essas medidas agora podem ter algum efeito prático na situação atual. As medidas que as autoridades deveriam ter tomado, preparar-se para a pandemia, melhorar a assistência de saúde, criar comitês de crise com pessoas que entendem da situação e informar a população, no meu entendimento era o caminho correto”, completou Vianna.

Confira a entrevista completa:

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Luisa Fragão

Jornalista.

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