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27 de maio de 2020, 19h14

Padilha detona projeto de flexibilização da quarentena de Doria em SP

O deputado federal, que é ex-ministro da Saúde e ex-secretário de Saúde da capital paulista, afirmou que os critérios utilizados pelo governo paulista para a "retomada consciente" de Doria estão errados

Alexandre Padilha (Agência Câmara)

No início da tarde desta quarta-feira (27), o governo de São Paulo anunciou a prorrogação da quarentena no estado por 15 dias, com flexibilizações e aberturas econômicas progressivas.

“A partir do dia 1º de junho, por 15 dias, manteremos a quarentena, porém, com uma retomada consciente de algumas atividades econômicas no estado de São Paulo”, disse o governador João Doria (PSDB), durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.

Chamado “Plano São Paulo”, a proposta prevê cinco etapas. As regiões serão classificadas em fases por cor, de acordo com os critérios definidos pela secretaria estadual da Saúde e pelo Comitê de Contingência para Coronavírus.

“Ela [a flexibilização] será possível nas cidades que tiverem redução consistente do número de casos, disponibilidade de leitos em seus hospitais públicos e privados e estiverem obedecendo o distanciamento social nos ambientes públicos, além da disseminação e do uso obrigatório de máscaras”, afirmou Doria.

Para o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), que já foi ministro da Saúde e secretário de Saúde da capital paulista, os critérios utilizados pelo governo para a reabertura estão errados, visto que o parâmetro de casos confirmados a ser utilizado no plano de Doria é vago.

“O estado de São Paulo anunciou um plano de reabertura das atividades usando como critérios o número de casos confirmados por Covid-19, o que é um erro. Deve ser agregado a avaliação da progressão de crescimento dos números de casos suspeitos, das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave, dos exames diagnósticos radiológicos e laboratoriais, para ampliação da confirmação de casos. Estamos na situação absurda de liberar a reabertura de shoppings na cidade de São Paulo e manter fechado shopping em Osasco”, afirmou o parlamentar.

“Quem conhece São Paulo sabe que essas regiões são consideradas bairros um do outro. Acho que os tucanos pensam que só existe shopping na Faria Lima ou no Ibirapuera ainda”, completou o petista.

O ex-ministro da Saúde criticou ainda a maneira como o governo decidiu dividir as regiões para estabelecer quais terão flexibilização da quarentena ou não. Para isso, citou o exemplo da cidade de Campinas, que teve o comércio liberado e acabou prejudicando cidades vizinhas.

“Há semanas aconteceu isso em Campinas, por exemplo, foi liberado comércio na cidade como se só os cidadãos de Campinas utilizassem o comércio da cidade. As cidades próximas como Hortolândia e Sumaré agora estão na situação de colapso nas UTIs públicas na região metropolitana de Campinas. E estão planejando fazer a mesma coisa em SP. Será considerado o indicador caso confirmado de Covid-19, ou seja, tendo feito exame, em um país que não faz exame, nós não podemos utilizar isso como indicador”, explicou.

De acordo com Padilha, é preciso “agregar casos suspeitos e os confirmados por dados clínicos, radiológicos, a saturação dos pacientes, para a confirmação de casos de Covid-19”.

“Isso em um país que está fazendo distribuição em massa de remédio e não de testes”, completou.

Saiba mais detalhes sobre o plano de “reabertura consciente” de São Paulo aqui.


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