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26 de março de 2020, 16h17

Página oficial do governo reproduz Bolsonaro e prega “volta à normalidade”

Canal oficial de comunicação do governo está sendo utilizado para pregar o fim do isolamento social, método utilizado no mundo todo para conter a pandemia do coronavírus

Reprodução

A Secretaria de Comunicação (Secom) do governo Bolsonaro voltou a ser utilizada para pregar mensagens de cunho pessoal do presidente, e não do governo. Em postagem feita na noite de quarta-feira (25), a página “Governo do Brasil” no Instagram reproduziu o discurso de Jair Bolsonaro, feito em pronunciamento em cadeia nacional, em que defendeu o fim do isolamento social. O vice-presidente Hamilton Mourão, porém, afirmou que Bolsonaro “se expressou mal” e que a posição oficial do governo é, sim, a do isolamento social.

Na mensagem, que acompanha uma imagem com a frase “O Brasil não pode parar”, a Secretaria de Comunicação argumenta que a maior parte das mortes causadas pelo coronavírus são de idosos, ignorando o fato de que os mais jovens podem, muitas vezes, não apresentarem sintomas, e por isso o isolamento é recomendado para todos, e não somente para os grupos de risco.

“Vamos, com cuidado e consciência, voltar à normalidade”, diz a mensagem, indo contra as orientações que vêm sendo dadas no mundo todo.

Jornal Nacional dedica edição para refutar

Enquanto a população batia panelas contra Jair Bolsonaro Lula fazia uma live sugerindo impeachment ou afastamento do presidente, o Jornal Nacional, da Globo, dedicava praticamente toda sua edição desta quarta-feira (25) para refutar a declaração do capitão da reserva defendendo o fim do isolamento social. A edição teve, ao todo, 1 hora e 30 minutos de duração – muito maior que as edições padrão, que não costumam a passar de uma hora.

Praticamente todo o segundo bloco do telejornal foi usado para convencer a população de que Bolsonaro está errado ao defender que as pessoas voltem às ruas e o comércio reabra.

Para isso, o JN repercutiu a reação de governadores criticando Bolsonaro, além de entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e personalidades políticas, como Fernando Henrique Cardoso.

Na sequência, o telejornal exibiu entrevistas com inúmeros especialistas, todos eles refutando a fala de Bolsonaro feita em cadeia nacional. Eles pediram para que as pessoas façam exatamente o contrário do solicitado pelo presidente: isto é, para que mantenham o isolamento ficando em casa, pois essa, segundo eles, é a maneira mais efetiva de achatar a curva de disseminação do novo coronavírus. Entre os especialistas que falaram ao jornal estão Clóvis Arns da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia; o infectologista Marco Aurélio Safadi; Alexandre Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia; Álvaro Furtado, infectologista do Hospital das Clínicas, em São Paulo; e Marcos Machado, do Conselho Regional de Farmácia.


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