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13 de março de 2020, 21h11

Quarto país com mais casos, Coreia do Sul tem taxa de morte por coronavírus similar a da gripe comum

País tem cerca de 8 mil casos, e apenas 67 falecidos, graças a uma campanha agressiva para combater o vírus, impulsionada pelo Estado coreano (ou seja, não foram os privados)

Foto: reprodução

Até o dia 11 de março, a Coreia do Sul era o quarto país do mundo com mais casos de coronavírus: 7977 casos oficiais, e é possível que esse número já tenha ultrapassado os 8 mil. No entanto, o que impressiona mais é o seu número de falecimentos: apenas 67!

Isso significa que a taxa de mortalidade do vírus no país é de 0,6%, similar à de uma gripe comum e bem menor que a da maioria dos países onde o vírus já se instalou. A média mundial, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), é de 3,6% de falecidos, embora em alguns países, como na Itália, esse número seja superior a 7%.

Qual é o segredo dos coreanos? Segundo o jornalista Bugyeong Jung, correspondente da BBC na Coreia do Sul, o governo do país “iniciou, ainda em janeiro, uma campanha agressiva para combater o vírus. Colocou todo o seu sistema de saúde à disposição de uma operação para permitir o rápido diagnóstico do vírus, especialmente entre os habitantes de zonas críticas do país”.

Para ilustrar seu argumento, Jung comparou o número de exames de coronavírus realizados pelos Estados Unidos neste 2020, com os de exames realizados pela Coreia do Sul. Os estadunidenses fizeram 4,3 mil testes, e os coreanos já superam os 196 mil. “Embora alguns considerem que esse método tem sido um pouco invasivo, porque algumas pessoas reclamam terem sido forçadas a fazer o exame, o fato é que tem ajudado a salvar vidas”, comentou Jung.

Sobre o uso da força, vale destacar que 63% dos casos de contágio no país estavam relacionados ao grupo religioso Igreja de Jesus de Shincheonji, um culto dedicado à ideia de que seu fundador, Lee Man-hee, é a reencarnação de Jesus Cristo, muitos dos quais se recusavam a realizar o teste por recomendação dos líderes da seita.

Jung considera que o diagnóstico precoce é um dos segredos do sucesso coreano, mas não o único. “O país estava preparado para uma epidemia desde o ano passado, quando a gripe MERS (surgida no Oriente Médio) contagiou os primeiros coreanos. Então, se estabeleceu um protocolo de tratamento para doenças respiratórias, que precisa desse diagnóstico rápido para surtir um melhor efeito, mas a questão é que o Estado também já estava preparado para tratar as pessoas”, comentou o jornalista.

Um dos entrevistados por Jung em sua materia foi o professor Benjamin Cowling, da Universidade de Hong Kong. “A Coreia do Sul chega a fazer 10 mil exames por dia, e ao identificar casos mais rapidamente, consegue separar melhor os que requerem hospitalização, que são cerca de 10%, e os que não”, analisa o especialista.


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