Reitor da UFPel diz que 3 em cada 4 mortes por Covid-19 no Brasil poderiam ter sido evitadas

Advertido pelo governo Bolsonaro por emitir opinião política, o epidemiologista Pedro Hallal atribui os óbitos à má gestão da pandemia no país

O reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Rodrigues Curi Hallal, afirmou nas redes sociais na noite desta quarta-feira (3) que três em cada quatro mortes por Covid-19 no Brasil poderiam ter sido evitadas caso o país tivesse uma boa gestão da pandemia.

“3 de cada 4 pessoas que morreram de Covid-19 no Brasil não teriam falecido caso o país não fosse uma vergonha mundial no enfrentamento da pandemia”, escreveu o reitor no Twitter.

Pedro Hallal também é epidemiologista e coordenador da pesquisa nacional Epicovid, que acompanha o avanço do coronavírus no Brasil. Ele se tornou uma das principais fontes da TV Globo sobre o coronavírus.

Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass) mostram que o Brasil ultrapassou mais um recorde macabro nesta quarta-feira (3) diante do avanço da pandemia de Covid-19.

Foram 1.910 óbitos confirmados nas últimas 24h, uma marca que supera de longe qualquer outra já vista desde o início da pandemia no país. Com um possível colapso sanitário nacional, é provável que o Brasil ultrapasse as 2 mil mortes diárias nos próximos dias.

Advertência

O governo de Jair Bolsonaro emitiu, na terça-feira (2), duas advertências contra um professor e o reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O processo administrativo não gera demissão, mas fica registrado na ficha funcional dos profissionais.

O extrato de termo de ajustamento de conduta publicado no Diário Oficial da União (DOU) relata que tanto o professor Eraldo dos Santos Pinheiro quanto o reitor Pedro Hallal proferiram manifestações “desrespeitosas” e de “desapreço” contra o presidente Jair Bolsonaro.

Os comentários teriam ocorrido durante transmissão ao vivo no Facebook e YouTube da universidade no dia 7 de janeiro. Segundo a advertência, a live se configura como “local de trabalho” por ser um meio digital de comunicação da instituição.

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Luisa Fragão

Jornalista.