terça-feira, 22 set 2020
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Rússia x Oxford: quem vencerá a corrida pela primeira vacina contra o coronavírus?

A notícia de que a vacina de Oxford teve sucesso em seus primeiros testes clínicos, segundo a divulgação dos resultados nesta segunda-feira (20), lançou a dúvida sobre quem vencerá finalmente a corrida pela primeira vacina contra o novo coronavírus.

Isso porque a informação sobre o avanço no experimento britânico acontece uma semana depois dos resultados divulgados pela Rússia, que assegura já ter concluído sua terceira e última fase de ensaios clínicos em humanos.

Tanto Rússia como Oxford prometem ter seu produto disponível ainda em 2020, e em um ano no qual a pandemia é o assunto mais importante do noticiário internacional, é impossível fugir das especulações sobre quem vencerá essa disputa por ser o país que conseguirá o primeiro triunfo da ciência contra o vírus que já infectou mais 14,5 milhões de pessoas e matou mais de 600 mil, em apenas oito meses.

No entanto, e apesar de essas duas candidaturas ainda continuarem com boas chances, é inevitável dizer que, tecnicamente, os russos estão ganhando. Isso porque os resultados da vacina de Oxford publicados nesta segunda contemplam apenas as duas primeiras fases de testes. Falta uma terceira, que está acontecendo justamente no Brasil, com voluntários de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Por sua parte, a vacina russa já concluiu a etapa de desenvolvimento. O diretor do Fundo de Investimento Direto, Kiril Dmitriev, responsável por financiar o projeto, também garante que o produto estará disponível aos cidadão russos já em agosto, e que entre setembro e outubro haverá lotes suficientes para a venda a outros países interessados – ele promete ter ao menos 3 milhões de doses disponíveis até dezembro.

Claro que, por se tratar de uma questão de saúde, a vitória não será determinada somente por quem chegar primeiro, mas sim por quem vai chegar primeiro com um produto mais eficaz.

No caso russo, Dmitriev, que também funciona como uma espécie de porta-voz do produto, assegura que sua vacina mostrou eficiência acima dos 90%, e “garante uma imunidade de mais de cinco anos” contra a covid-19, aos que a tomarem.

Já os britânicos, que também afirmam ter sucesso de mais de 90% em seus experimentos até agora, não especificam ainda o tempo de imunização – provavelmente, essa informação virá após a conclusão da terceira fase de testes, no Brasil.

Além da Rússia e do Reino Unido, China e Estados Unidos também prometem apresentar vacinas ainda em 2020. A hipotética vitória do principal projeto norte-americano (produzido pelo laboratório Moderna) se trata também de uma das promessas de campanha de Donald Trump em sua disputa pela reeleição.

A China tem duas vacinas quase prontas e ambas estão programadas para chegar ao mercado entre os meses de setembro e outubro. O governo da China também prometeu à OMS (Organização Mundial da Saúde) que suas vacinas serão “patrimônio da humanidade”, e que serão distribuídas gratuitamente.

A mais adianta das vacinas chinesas é a do laboratório Sinovac Biotech, que, assim como a vacina de Oxford, está na última fase de testes clínicos em humanos, a qual também conta com voluntários brasileiros, graças a uma parceria com o Instituto Butantan.

Devido à participação brasileira nesses projetos, não é errado supor que o Brasil teria mais facilidade de acesso à vacina de Oxford e à vacina da Sinovac, quando estas estejam concluídas. O que não significa que os outros produtos não possam chegar ao país, se houver disposição, sensibilidade e celeridade das autoridades brasileiras.

A outra concorrente chinesa é a vacina do laboratório CanSino, que conta com maior apoio político do governo comunista e que também divulgou seus resultados nesta segunda-feira, mostrando que continua no páreo.

Outros 5 produtos (mais dois da China, outro dos Estados Unidos, um do Reino Unido e um da Alemanha) que também estão desenvolvidos devem estar disponíveis somente em 2021.

Victor Farinelli
Victor Farinelli
Jornalista formado pela Universidade Católica de Santos, há 15 anos é correspondente na Argentina (2004 e 2005) e no Chile (desde 2006).