Sem ajuda de Doria, favelas de São Paulo fazem mutirões para enfrentar coronavírus

"Até agora ninguém falou a palavra favela. Para os governos, a gente não existe", diz Gilson Rodrigues, presidente da União de Moradores de Paraisópolis

Favelas de São Paulo estão criando esquemas alternativos para proteger seus moradores durante a epidemia do coronavírus. Sem ajuda do governo de João Doria (PSDB) ou da prefeitura de Bruno Covas (PSDB), comunidades usam doações de menos de um real por morador como investimento em alimentos para idosos e crianças mais necessitados.

Em Paraisópolis, por exemplo, foi criada grande cozinha para produzir marmitas e entregar nas casas dos moradores. De acordo com reportagem do UOL, mulheres do bairro estão se voluntariando para cozinhar, e vans e motos foram recrutadas para fazer a distribuição.

Em outras comunidades, centros de isolamento foram criados em casas vazias ou nas associações de moradores para caso apareça algum doente, e assim evitar o contágio dos parentes.

“Até agora ninguém falou a palavra favela. Para os governos, a gente não existe”, afirmou Gilson Rodrigues, presidente da União de Moradores de Paraisópolis, também em entrevista ao UOL. Paraisópolis é a segunda maior comunidade de São Paulo, atrás apenas de Heliópolis.

“Vai ser uma carnificina”, complementa Gilmar Antonio de Souza, presidente da Sociedade Comunitária de Jardim Valquíria, associação que representa as comunidades de Capão Redondo, no extremo sul da cidade.

Os líderes comunitários também contam que moradores dessas regiões dependem do atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em caso de suspeita da doença. Contudo, as unidades têm priorizado somente casos com sintomas mais graves. Até chegar neste ponto, muitos doentes já contaminaram seus parentes.

Desafios

Nas favelas, um dos maiores desafios durante a pandemia será ter renda para comprar itens básicos de sobrevivência, como alimentos. De acordo com pesquisa do Data Favela, 72% dos moradores de comunidades no Brasil dizem ter dificuldade para manter o baixo padrão de vida durante a quarentena, justamente por não terem uma poupança.

A pesquisa do Data Favela também revela que 7 em cada 10 famílias já estão com a renda diminuída desde o início da pandemia e das medidas preventivas do alastramento do vírus, e que 79% já começaram a cortar gastos por conta da crise provocada pela Covid -19.

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