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26 de março de 2020, 07h34

Vice-presidente da Fiesp diz que Bolsonaro fez “muito pouco, quase nada” e critica pronunciamento: “Susto”

Vice-presidente da Fiesp, que vinha atuando como linha auxiliar do bolsonarismo, diz que governo precisa atender "prioridade número um" que é o pagamento de salários dos funcionários das empresas

osé Ricardo Roriz Coelho, 2º Vice Presidente Fiesp (Divulgação/Fiesp)

A desastrosa condução da política de combate ao Coronavírus já causa turbulência na imagem de Jair Bolsonaro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que até o momento vinha atuando como principal linha auxiliar do bolsonarismo no meio empresarial.

Em entrevista à BBC Brasil nesta quinta-feira (26), José Ricardo Roriz Coelho, 2º Vice Presidente Fiesp, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e ex-presidente da Suzano Petroquímica, diz que o presidente fez “muito pouco, quase nada” sobre políticas destinadas às empresas durante a crise gerada pelo coronavírus.

“Eu acho que as empresas paradas não têm condições de pagar salário. E os trabalhadores desassistidos, tem que dar renda para eles durante o período da crise. Nós ainda não estamos nem no auge da crise. Hoje, efetivamente, do que foi anunciado, o que uma empresa já pode fazer? Muito pouco. Dizer que ‘ah, mas os pagamentos vão ser postergados’. O problema é que a empresa não tem fluxo de caixa hoje. O que tem de efetivo que pode ser implementado hoje para as empresas resolverem seus problemas? Quase nada”, disse Roriz Coelho.

Para ele, a “prioridade número um é o pagamento de salários, justamente porque se essas pessoas que já estão confinadas não tiverem o seu salário depositados em dia, vai bater desespero e vai ter um caos na economia”.

“Agora, o que o governo precisava fazer? Tem um grupo de pessoas desassistidas e tem empresas que não estão vendendo nada. Os setores mais prejudicados não têm condição econômica de fluxo de caixa para continuar trabalhando. E o mundo inteiro está ajudando essas empresas. A diferença do Brasil – tem muita gente falando ‘ah, mas o Trump fez isso lá’. A diferença é que o Trump injetou na economia US$ 2 trilhões”.

O empresário disse ainda ter tomado um susto com o pronunciamento de Bolsonaro na última terça-feira (24).

“Eu tomei um susto porque o ministério da Saúde tem feito o que eu considero um excelente trabalho de comunicação sobre o que a população deve fazer para obedecer esses protocolos de segurança, de saúde, e que, pelo que eu tenho acompanhado, está muito alinhado às recomendações da Organização Mundial da Saúde. Então você passa a tarde inteira, todo mundo em casa, tentando atender esses protocolos, e daí, intempestivamente, você vê no horário nobre de televisão o presidente falar praticamente o contrário do que tem sido dito no dia a dia das pessoas”, afirma.

Para Roriz Coelho, é preciso admitir erros. “Eu sou otimista que eu acho que temos que aprender com os erros. Nós erramos. E tem tempo para arrumar até, pelo que o próprio ministro da Saúde falou, nós vamos ter um colapso no fim de abril. E vai durar até setembro. Então temos tempo para ajustar nossas ações e discursos e precisamos de uma liderança firme que mostre para o país o rumo que está tomando e o que está fazendo para que passemos e cheguemos o mínimo machucado possível depois dessa crise”.


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