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22 de maio de 2019, 12h25

Crianças aptas à adoção desfilam para pretendentes a pais em passarela de shopping em Cuiabá

Evento, que está em sua segunda edição e tem apoio da OAB-MT, TJMT e Governo do Estado, causou revolta nas redes sociais. Guilherme Boulos chamou de "perversidade inacreditável"

"Passarela da Adoção" expõe crianças a pretendentes a pais (Reprodução)
Um evento realizado pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara) em parceria com a Comissão de Infância e Juventude (CIJ) da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT), que contou com o apoio do governo do Estado e do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT), expôs crianças de 4 a 17 anos aptas à adoção em uma passarela do Shopping Pantanal, em Cuiabá, para que pretendentes a pais pudessem escolher os filhos adotivos. No Twitter, Guilherme Boulos chamou de “perversidade inacreditável” o evento, que está em sua segunda edição. “A “passarela da adoção”, em...

Um evento realizado pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara) em parceria com a Comissão de Infância e Juventude (CIJ) da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT), que contou com o apoio do governo do Estado e do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT), expôs crianças de 4 a 17 anos aptas à adoção em uma passarela do Shopping Pantanal, em Cuiabá, para que pretendentes a pais pudessem escolher os filhos adotivos.

No Twitter, Guilherme Boulos chamou de “perversidade inacreditável” o evento, que está em sua segunda edição.

“A “passarela da adoção”, em Cuiabá, expondo crianças de 4 a 17 anos para a escolha dos pretendentes pais é de uma perversidade inacreditável. Os efeitos psicológicos da exposição, expectativa e frustração dessas crianças pode ser devastador, ainda que a intenção tenha sido outra”, tuitou.

Em entrevista ao portal Olhar Direto, de Matro Grosso, Tatiane de Barros Ramalho, identificada como presidente da Comissão de Infância e Juventude da OAB-MT e da Comissão Nacional da Infância, disse que além de serem apresentados a possíveis pais, as crianças têm um “dia diferenciado”.

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“Será uma noite para os pretendentes – pessoas que estão aptas a adotar – poderem conhecer as crianças, a população em geral poderá ter mais informações sobre adoção e as crianças em si terão um dia diferenciado em que elas irão se produzir, cabelo, roupa e maquiagem para o desfile. Na última edição, dois adolescentes, um de 14 e o outro de 15, foram adotados”, disse.

Segundo o site TV Mais News, 20 crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos que estão acolhidos em instituições de Cuiabá e Várzea Grande ganharam “roupas novas, um dia de beleza, incluindo penteados e maquiagem, tudo isso para se divertirem no desfile que pode resultar no encontro de uma família”.

Ao site do TJMT, a presidente da Ampara, Lindacir Bernardon, disse que a ação integra o projeto de busca ativa, cujo objetivo é garantir que todos tenham o direito de viver em família.

“Nossa expectativa é de que novos encontros aconteçam, porque o que os olhos veem o coração sente. A partir do momento que as famílias tomam conhecimento dessas crianças que querem um pai e uma mãe, a paixão acontece”, afirmou.

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Revolta nas redes
Além de Boulos, a exposição das crianças provocou revolta em outros usuários das redes sociais.

“No século XIX, indígenas e negros eram expostos na Europa e nos EUA em “zoológicos” humanos. No século XXI, no Brasil, algo semelhante é feito com crianças em situação de adoção. A nossa desumanização não encontra limites”, tuitou Guto Moraes.

“É pior que isso, claro que tem, é uma capital, o maior problema é que foi um evento com patrocinio da OAB-MT”, tuitou Leonardo Ferreira.

“Que mundo é esse, heim? crianças e adolescentes desfilando numa passarela de SHOPPING para serem adotadas. Eu estou chocada!”, tuitou Nélia Lins.

Veja outras repercussões

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