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12 de abril de 2019, 11h50

100 anos da Bauhaus, a icônica escola fechada pelos nazistas sob pretexto do “Marxismo Cultural”

O novo ministro da Educação de Bolsonaro, Abraham Weintraub, se jacta em dizer que é fervoroso combatente do mesmo “Marxismo Cultural” que os nazis perseguiram

Foto: Arquivo

A estranha palavra alemã “Bauhaus” amanheceu nos trend topics do Twitter, nesta sexta-feira (12). O assunto também foi o logo do dia do Google. Enquanto alguns se riam, outro perguntavam o que era aquilo. Uma internauta chegou a questionar: “é de comer?”.

Comemorar, enfim, o centenário de uma escola de arquitetura e design pode parecer exagero para alguns incautos. O fato é que, além de estar longe de ser apenas mais uma escola de arquitetura e design, as comemorações do centenário da Bauhaus chegam em boa hora, tanto no Brasil quanto no mundo.

Chegam em boa hora, sobretudo aqui, diante da bizarra coincidência de termos um ministro da Educação recém nomeado, Abraham Weintraub, que se jacta em dizer que é fervoroso combatente do “Marxismo Cultural”.

O argumento foi o mesmo que fez com que os nazistas, assim que chegaram ao poder, em 1933, fechassem a libertária escola fundada pelo arquiteto Walter Gropius, na Alemanha, no dia 12 abril de 1919.

Após a Primeira Guerra Mundial, a escola de design e arquitetura Bauhaus desenvolveu uma nova abordagem radical nas suas disciplinas chaves cujo impacto ainda pode ser sentido em todo o mundo hoje.

O nome, Bauhaus, era um neologismo criado pelo arquiteto que significa literalmente “casa de construção”.

Em um ambiente, além de libertário, experimentador, estudantes e professores, incluindo estudantes que viraram professores, entregaram às artes, ao design e à arquitetura do mundo uma linguagem estética e conceitualmente inovadora. Um movimento que aconteceu em consonância com demandas de uma sociedade cada vez mais urbana e industrial, de massas. Bauhaus virou sinônimo de um olhar prático e modernista, identificável por lajes planas e formas retangulares. Mas também de um olhar generoso, em que a estética não se eximia de sua dimensão política e de seu papel no progresso da sociedade.

A primeira localização da Bauhaus foi na cidade de Weimar, centro do iluminismo alemão, onde no passado tinham vivido figuras como o escritor Goethe e o músico Franz Liszt. Com o fim da Primeira Guerra, a derrotada Alemanha deixou de ser reino para virar república. Em 1919, uma assembleia redigiu em Weimar uma Constituição para o novo Estado alemão, baseada em princípios democráticos. Em 1925, a Bauhaus se mudou para Dessau, no icônico prédio envidraçado projetado por Gropius.

A chamada “República de Weimar” durou de 1919 até 1933, quando Adolf Hitler chegou ao poder. Neste momento, a Bauhaus – considerada pelos nazistas como uma espécie de “bolchevismo cultural” – foi forçada a fechar as portas.

Mas foi a perseguição aos nazistas, ironicamente, que fez com que a filosofia apresentada por essa escola se tornasse mais forte e mais relevante.

Após o fechamento da escola, a maioria dos membros da Bauhaus emigrou principalmente para os Estados Unidos e inspirou uma nova geração de arquitetos e designers que marcaram as gerações futuras.

Com informações da BBC e do Nexo


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