Quase meio século após o assassinato de Ângela Diniz, a HBO Max lança “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”, série dirigida por Andrucha Waddington que revisita um dos crimes mais emblemáticos da história recente do Brasil. Inspirada no podcast Praia dos Ossos, a produção estreia em 13 de novembro e propõe uma nova leitura do caso que mobilizou o país e impulsionou a luta feminista contra a chamada “defesa da honra”.
No centro da trama estão Marjorie Estiano, que dá vida à socialite mineira assassinada em 1976, e Emilio Dantas, no papel de Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, que a matou com quatro tiros à queima-roupa em Búzios (RJ).
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Durante a coletiva de lançamento, Dantas não poupou críticas ao homem que interpreta. “Um grande idiota, canalha, preconceituoso”, definiu o ator. Ele afirmou que o caso permanece assustadoramente atual. “Muitas vezes a gente vê algo que aconteceu no passado e percebe que continua igual. Talvez meu personagem hoje fosse famoso, tivesse uma equipe de marketing e estaria no Congresso. E a Ângela, cancelada na internet. Nos dias de hoje, o assassino dela seria influenciador”, provocou.
As informações são do F5.
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Indignação
O ator disse ainda esperar que o público termine a série tomado por indignação. “Quero que as pessoas sintam a mesma raiva que senti ao gravar — raiva do passado e do presente. Porque continuamos cometendo os mesmos julgamentos de antes.”
Marjorie Estiano contou que mergulhar na vida de Ângela foi um processo transformador. “Quanto mais eu estudava a Ângela, mais enxergava o preconceito que a sociedade tinha — e ainda tem — com mulheres livres”, afirmou. A atriz disse que o papel a fez refletir sobre culpa, prazer e autonomia. “Mulheres precisam parar de se culpar por sentir prazer. A Ângela vivia isso plenamente, e isso é revolucionário.”
Para ela, o comportamento de Ângela continua sendo um marco. “O fato de ela ser tão livre é inédito. Mulheres foram ensinadas a sofrer ou a servir. A Ângela veio para quebrar isso”, completou.
Andrucha
O diretor Andrucha Waddington destacou que o foco da série é dar voz à vítima, não ao criminoso. “Nosso cuidado foi não transformar a tragédia em espetáculo. A série é sobre a assassinada, não sobre o assassino. Se quiséssemos explorar o escândalo, teríamos dado mais espaço ao Doca Street — e não fizemos isso.”
Produzida pela Conspiração, a série tem ainda Antônio Fagundes no papel do advogado e ex-ministro do STF Evandro Lins e Silva, Thiago Lacerda como o colunista Ibrahim Sued e Camila Márdila interpretando Lulu Prado.
Para Waddington, revisitar o caso é essencial para entender o presente. “A Ângela foi julgada por ser livre. E quando percebemos que esse julgamento ainda existe, é sinal de que a ferida continua aberta.”